A grande água

Não tenha medo, meu grande amor, eu estou firme. O vento veio, passou por mim, senti na pele. Não creio em cartas, desenho pontes, eu atravesso. Meu forte I Ching me orienta na grande água. Ah, meu amor, não tenha medo, conte comigo. Estou de pé, olho pro céu, o mundo é grande. Desta janela,…

Dramando

Passou a raiva dos cambistas. Tudo se resolveu e vou ver Marina Lima no sábado, graças a Adalberto e a Ana Paula. E tenho que agradecer também a Emília, que me ligou de manhã e ofereceu ajuda na troca. Uma colega dela queria ir ao show no domingo. Como dizem os meninos do caderno Dez!, acho que “dramei”…

Acontecimentos

Mesmo com convites no bolso para domingo, fui ao TCA atrás de ingressos para o show de Marina. É que trabalho justo no domingo. A bilheteria abriria ao meio-dia, iniciando as vendas hoje. Levei a minha mãe ao médico e corri para o teatro logo depois. Cheguei lá às 14 horas e 15 minutos e não havia um…

O que fazer, amigos, quando não há saída e ainda se precisa agradecer pelo pão de cada dia? O que fazer, amigos, quando o destino nos amarra numa camisa de força para que sejamos lúcidos? Tudo é sempre por alguma coisa. Sim, é pela casa, ou pelo carro, é pelas contas, ou pelo mínimo conforto, o…

Esperando Godot

Ainda não falei sobre o curso que estou fazendo, de crítica teatral, com Fátima Barreto. Ela foi minha colega em A TARDE e está concluindo o doutorado na Escola de Teatro. É uma pessoa cheia de vida, de olhos brilhantes, sorriso aberto e gestos largos. O curso é de extensão, oferecido pela Ufba, e gratuito. Tenho lido…

Koan

O peso do mundo, sua mão na minha, pena leve com que desenho em torno finas linhas, cada um dos dedos, e a palma. Um koan de encantamento: qual é o som de uma única mão batendo? E todo peso em mim magicamente se desarma.

A boate fervia, passava da meia-noite. Nada aparentemente anormal. Shirley atravessou a pista de dança ao som de “Light My Fire”, dos Doors, chegou ao bar minúsculo e pediu um uísque. – Jack Daniel´s, sem gelo. O barman, um anão, atendia aos clientes dependurado em uma espécie de trapézio. Ela viu o pequeno corpo balançar…

Damião comenta

Uma brincadeira com o contínuo mais antigo do jornal A TARDE. 

Qualquer música, ah, qualquer, Logo que me tire da alma Esta incerteza que quer Qualquer impossível calma!                                         Qualquer música – guitarra, Viola, harmônio, realejo… Um canto que se desgarra… Um sonho em que nada vejo… Qualquer coisa que não vida! Jota, fado, a confusão Da última dança vivida… Que eu não sinta o coração! Adoro…

O que não digo

O que não digo ainda existe no olhar que ergo, alegre ou triste, paixão, soberba, amor ou fúria, o que não digo ainda insiste em desfazer-se em pura angústia, palavra morta que arde na boca, e azeda a língua, o que não digo ainda assim ocupa espaço, é aéreo fardo que eu carrego. Livros me livrem…