Não venha até mim, criança,
pois meu peito é um campo
de miosotis pisados
que medraram ao Sol,
pois meu peito é um vaso
de gerberas, presenteadas
por engano ao cego do realejo,
pois meu peito é um canteiro
de papoulas amarelas
que migraram no Inverno,
pois meu peito é o lago solitário
em que desabrocha a lotús,
nelumbo nucifera,
pois meu peito é um vasto deserto
minado, repleto de armadilhas
e de violetas do brejo,
pois meu peito é o solo do mar,
castigado pelo salitre,
no qual só vicejam ervas marinhas,
e há pedras com flores dentro.

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2 comentários Adicione o seu

  1. ângela vilma disse:

    Que poema lindo!

  2. anjobaldio disse:

    Lindíssimo!

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