Minha infância é um país
destruído, do qual parti em sobressalto,
numa noite sem sonhos.
Estávamos todos acordados,
os colegas de jardim, os vizinhos,
o namorado de 8 anos, seguindo
por ruas desertas, e em ruínas.

Deserdados, e de mãos dadas,
buscamos abrigo seguro, deixando
nossas mãos soltarem-se,
umas das outras. Não sei dos outros,
mas cheguei aturdida
– sem adolescência que desse conta,
do passaporte e da bagagem –
numa outra espécie de vida.

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