Foi Vinicius quem disse: o uísque é o cachorro engarrafado. Sim, o melhor amigo do homem. Eu ainda prefiro meu poodle mestiço, quentinho e bobo, a espreitar meus movimentos, a qualquer 12 anos com gelo. Meu cachorro custou 120 reais num pet shop. Eu o comprei pouco depois da morte do meu pai, em 2002, quando me senti meio cão sem dono. Minha sobrinha, uma Oprah Winfrey de 10 anos, me convenceu a levar Billy pra casa. Billy Negão, como na música do Barão Vermelho. Era pequeno, microtoy, me disse a moça da loja, e legítimo. “Pode passar pra pegar o pedigree dentro de duas semanas”. Nas primeiras vacinas, descobri que meu fofucho é um pé duro, já que seus pais são de raças diferentes. Só entendi o que isso significava quando vi o tamanho que ele ficou. Enorme! O veterinário, indignado, me estimulou a processar a loja. “Só tem um problema”, ele disse, “Você terá que deixar seu dog lá e aceitar a restituição da grana ou um animal de raça pura”. Normalmente, devo confessar, não levo desaforo pra casa. Mas trocar meu uísque peludo e adoravelmente chato por qualquer coisa era, e continua sendo, uma missão impossível. O papo furado vai bem, enquanto a poesia deve andar lá pelas bandas de Cruz das Almas, arriscando a pele na guerra de espadas ao lado do licor, seu amigo caipira engarrafado.

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