O animal sem nome

Tenho lido e lido e lido “As Elegias de Duíno” e os “Sonetos de Orpheu”. A ponto de sentir falta deles na rua. Mais uma vez, a leitura me resgata da dor. Feliz, ou infelizmente, é nela que tenho me encontrado ainda a mesma menina que sonha com coisas. Me abrigado seria melhor, já que…

Aqui estou, cantando…

Partiu um navio ainda há poucodeste porto. Que é meu coração,demasiado lusitano?Quem dera o mar,o amar, sem horizontes,o atravessar eternamente,para outro onde,até perder-se na calmaria do nada há.Partir, quem sabe, seja encontrar-se.

São João

Minha avó materna era uma santa de olhos azuis,numa fazenda chamada Santa Luzia, que posseirosinvadiram e virou uma vila, no meio do Sertão.Tenho dois avôs que morreram cegos. Daí meu medo do escuroe meus cuidados com meus olhos. Do avô paternoherdei o gosto pela cozinha e o jeito discreto. Elenem imagina que virou nome de…

Um poema quase conto

Você é meu grande engano, pensei enquanto sorria, assegurando a ela que a febre é mais reação que abandono, e nos amamos tanto e, no fim das contas, pouco importa: Toda doença é só sintoma. Brigamos, enquanto imaginava dizer: Ah, meu amor, meu amorzinho, como posso querer perfeição maior? Mas saí batendo a porta e…

Um uísque e um cachorro

Foi Vinicius quem disse: o uísque é o cachorro engarrafado. Sim, o melhor amigo do homem. Eu ainda prefiro meu poodle mestiço, quentinho e bobo, a espreitar meus movimentos, a qualquer 12 anos com gelo. Meu cachorro custou 120 reais num pet shop. Eu o comprei pouco depois da morte do meu pai, em 2002,…