Todo pombo, embora doce, é um rato
que voa. Um dia, um deles,
de repente, entrou pela janela do carro,
e ficou, paralisado de medo,
no banco traseiro. Eu também

estava em pânico, chamei Marcelo,
que veio e, com cuidado, recolheu
nas mãos as asas e o bicho inteiro
e pulsante. Apareceram crianças
e cercaram o carro, alegando a posse

da ave. Eu me sentia só,
como quando parto, trêmula, as mãos
grudadas ao volante, num vôo
cego, perdida, pela cidade.

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