maio 2007


Como era sentir saudade quando não existia orkut?
Quando não se podia “folhear” um fotolog?
Quando não era possível salvar uma foto para colocar no blog?
Como era mesmo sentir saudade?
Ao longo do ano, Mariana vai me ensinando
mais sobre determinação e coragem que sobre saudade.
Sobre saudade, eu vou aprendendo sozinha,
pobre fada madrinha sem varinha mágica.

Já não me incomoda
se alguém coloca o olho e espia,
pelo estreito buraco da vigia,
os meus sonhos.Sou poesia
e, se pouca, me conformo:
melhor ser um haicai que a “Ilíada”.

A raposa nunca deve olhar pra trás
enquanto atravessa a grande água,
embora possa. Uma pessoa que caminha
deve sempre manter os olhos na linha
do horizonte, que é pra ter onde se guiar.
Seguir nem sempre é ir pra onde
se possa encontrar alguma coisa. Seguir
pode ser simplesmente achar
no movimento, já, aquilo que se busca.


Graças a uma indicação de Marcus Gusmão, fui até o site da Associação Brasileira do Déficit de Atenção – ABDA e fiz um teste para saber se tinha Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O teste não é definitivo, diz o texto do site. Ainda bem. Recomendo a todos uma visitinha, embora considere a medicina como a grande doença do século XXI.

A gripe me pegou de jeito esta semana, embora eu tenha conseguido honrar todos os compromissos, incluindo uma ida ao novo shopping. Acabei faltando ao curso da Facom na segunda-feira por causa da febre e dores no corpo. Fui trabalhar todos os dias “na tora”. De manhã, até que dá pra acordar cedo com alguma disposição, mas, à medida que o dia avança, o corpo vai pedindo arrego. Como minha aula vai até às 22h30, podem imaginar como fico depois do intervalo, por volta das 20 horas. Aí acabo mesmo saindo mais cedo. Tenho até dormido cedo. Como convivo com a insônia desde criança, tenho sempre em casa um remédio natureba para pegar no sono no tranco. Às vezes funciona, outras não. Será que a insônia da vida toda tem a ver com a desorientação espacial? E o que dizer de perder toda e qualquer coisa, de ingressos para a “Formidável Família Musical” a um diploma de jornalismo, cuja segunda via custou R$ 80? E de ficar dirigindo com a carteira provisória de motorista durante quatro anos?

Ontem encarei um grande desafio: fui sozinha ao novo shopping. Precisava pagar umas contas, enfim, arrumei uma boa desculpa e fui. Eu, que me perco a cada ida ao Iguatemi e nunca sei onde fica cada loja, peguei o engarrafamento da via de acesso, estacionei bonitinho no G1, subi duas escadas rolantes e dei de cara com uma enormidade de lojas amplas e bem iluminadas e uma multidão ávida, incluindo gente de andador e de cadeira de rodas e mães com crianças de colo. O povo brigava por bolas, distribuídas na Riachuelo. Tentei chegar à Praça de Alimentação, mas desisti. Acabei me refugiando na Livraria Saraiva e comi por lá mesmo. Difícil, confesso, foi sair de lá, e eu tinha um compromisso imperdível às 18 horas: aula na Facom. Quando consegui alcançar o estacionamento, respirei aliviada. Mas o trânsito estava simplesmente caótico. Não deu, assim, para conhecer tudo, com a calma que o ambiente pede. Terei que voltar um dia desses, com menos gente nos corredores. Quero ir à Saraiva com mais paciência, olhar os livros, bisbilhotar um negócio chamado Espaço Castro Alves, que tem lá dentro, tomar um café gelado (tudo preparado por baristas, garante o cardápio).

O belo, e trágico, registro de Aristides Baptista, publicado na primeira página de A TARDE na segunda-feira, dia 21 de maio de 2007, que mostra o marido e a mãe de uma mulher assassinada no domingo, dia 20, chorando ao lado do corpo.

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