Meu coração sente que, em março, algo vai mudar,
quando desarmarem os palanques. É isso!
Quando desmontarem as arquibancadas do Campo Grande,
meu coração me diz que algo vai mudar. Algo, sim,
de muito forte, profundo e importante.
Quando desligarem as lâmpadas coloridas
e retirarem os enfeites dos postes, há quem diga (meu coração)
que a verdadeira alegria nascerá – silenciosa e contemplativa –
a ocupar os espaços dos camarotes na avenida
e a comandar, com seu ritmo, uma certa batucada de amigos,
ou um afoxé antigo, ou um frevo vindo de Olinda.
Meu coração, esse bandido, é que sempre chega atrasado pra folia.

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