Dia 18 de dezembro e o Madame K completa três anos, o que significa muito para mim. A ideia pintou num caruru de Santa Bárbara, na casa de minha irmã mais velha, Bárbara, em 2006. Uma sugestão de Márcio Matos, do Cova Rasa. Até então, eu não sabia nada de blog. Fui pegando o jeito na prática, com as dicas dos blogueiros mais experientes. Tive momentos incríveis com o Madame, de grande movimento e acessos, de conhecer muita gente legal, de escrever poemas e vê-los no ar imediatamente, sendo lidos e comentados em minutos, de ter de mediar comentários, de posts confessionais, engraçados, chatos, constrangedores e de semanas sem muitos acessos, completamente paradas. Praticamente todos os poemas do meu segundo livro, “Uma balada para Janis”, passaram por aqui. Em certas ocasiões, quis jogar tudo no lixo. Em outras, pensei em encerrar esse e criar outro. Dei tempo também, com plaquinha de fechado para balanço e tudo. Aqui fiz grandes e-amigos e também aprendi a diferença entre e-amigos e amigos. No final das contas, não me arrependi de ter seguido o conselho de Márcio. Hoje coloco um ponto final. Em breve, estarei editando o blog que cobrirá o meu projeto premiado no edital da Secult de 2008. Fiquem bem!

Já estamos todos mortos
quando vivos nestas poses
que emprestam aos retratos
certo ar de documento
do quanto fomos, gente,
para algum arremedo
de posteridade. Ah, já estamos
mesmo todos mortos
quando abrimos os olhos 
e arreganhamos os dentes
diante de algum fotógrafo.

Recebi hoje um e-mail da poeta Ana Peluso com essa ação de apoio. Não conheço o dramaturgo, mas resolvi replicar aqui e dar uma força. Os comentários da imprensa sobre o que aconteceu com ele são simplesmente lamentáveis. Onde chegaremos com tanta ignorância? Sinceramente, não sei.

Marcamos um encontro:
15 para as sete na
esquina dum verso.
Confirmou ao telefone,
na quarta, dia de Iansã,
de vermelho, como se deve,
sem falta, no ponto
onde acontece do verbo
amolecer. Iria, me disse,
de todo modo, mesmo
se a filha adoecesse,
sabendo que não me acharia
nas palavras, no horário,
no papel, acertados que somos,
eternamente ausentes.

Disto, enfim,
a boca perto
do ouvido.
Poderia soar
sim ou não,
dito, não dito.
Disto, sim,
do olvido.