E eis que meu romance avança. E me enreda. Se me perguntarem, direi que sei, direi que um dia saberei. Por enquanto é só ensaio, processo de engatinhar no chão gelado. Quando fico nos dois pés ainda não é firme. Mas insisto mesmo, por afrontamento do desejo, como dizia Ana C, insisto na maldade de escrever.
As pessoas iam sumindo lentamente. E reapareciam, de repente, com branco nos cabelos. Menos ele, que usava um produto importado. Parecia ter a mesma idade de quando fomos buscar o exame. Será que sim, será que não? Fazia suas coisas às escondidas. Me diga, mano, que é isso?, perguntava distraída, como se não quisesse explicação. Ele sorria sem dizer. Soube depois da armadilha. Estava são, graças a Deus. Forte feito o mesmo de hoje em dia. Nunca tente incutir pressa em quem passou dos 40, por mais que force a cabeça, não entra. Essa coisa paranóica de celulares cheios de ferramentas, por exemplo. E gente ligando a toda hora para saber coisas que poderiam esperar o tempo certo. A fofoca é a alma do negócio de fazer amigos e influenciar pessoas. A fofoca move a febre por sites de relacionamento. Onde andará fulano, que não vejo há milênios? Tá lá no orkut, inteiro, só falta o endereço. Fotos dos filhos pequenos, da sogra de óculos com esparadrapo, da mulher com quem casou. Acho até que conheço. O menino, veja só, parece com ele, já a menina puxou mais à mãe. A sogra tem cara de sofrimento. Estão comendo, sei lá em que restaurante. E aquele irmão do tal, que só andava bêbado. Tá nos amigos do amigo, vítima de uma comunidade de nome engraçado. Ainda solteiro. Ninguém some mais, antes viram fotografias coloridas em perfis estáticos, que são quase uns epitáfios de vivos.

Nossa Senhora de Copacabana,
dai-nos o Sol todos os dias,
mesmo no Inverno. Dai-nos
o seu calor sem termo,
Nossa Senhora de Copacabana.
Dai-nos um céu de brigadeiro
a cada semana. Dai-nos um céu
de brigadeiro, nossa senhora
de Copacabana.
Dai-nos alvoradas sem medo.
Dai-nos manhãs de poesia.
Dai-nos entardecer sem tédio.
Dai-nos o pôr-de-sol mais belo.
Dai-nos e nós a aplaudiremos.
Gadú
Meio lentinha, só agora descobri Maria Gadú, 22. Ouvi as músicas do primeiro disco e fui ver a menina em vídeo no Youtube. Nesse aqui, ela faz um cover de Killing Me Softly com uma batida bem bacana. Será que a Som Livre vai segurar esse visual garotinho de Gadú ou vai enquadrar a garota?
Em qual se enquadra o Madame?

Gerana Damulakis parou com o Leitora Crítica. Há motivos, não duvido. Já tive impulsos de acabar com o Madame inúmeras vezes. Montar outra estrutura, como fez Mayrant Gallo com o Não Leia! Algo bem organizado, menos confuso, uma revista literária séria como a Verbo 21 de Lima Trindade. Pensei até em criar um sebo virtual, o Bandini. Por conta de Ticket Zen, devo necessariamente criar um novo blog, exclusivamente para registrar as ações do projeto. Transparência, baby, é a palavra de ordem. No momento, espero. Esperar não é ruim. Esperar envolve um mecanismo interessante. Você precisa ocupar o seu tempo e aí surgem outras coisas. Tipo Penélope no aguardo de Ulisses, de repente surge um manto. É pano, mas envolve. Nem tudo é uma grande, uma terrível, uma inominável maldade. Não posso acreditar. Tento convencer um amigo querido a envelhecer serenamente. Mas como conseguir domar alguém do signo de câncer? Li um post interessante no Licuri recentemente, replicando as categorizações pescadas num outro blog. Felizmente, não sei em qual se enquadra o Madame.
Silk

Uma roupa velha
para o dia novo
que se inaugura
trancar no corpo,
invólucro sobre
invólucro, uma
roupa velha,
lição de autocura,
que este dia novo
em nada apura, seja
como o outro
que, estampado,
vai em busca da manhã
perfeita, na qual
Janis nunca perderá
o viço nesta camiseta.
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