
Você apenas finge que sente.
Mas que tarde cinza
é essa que traz nos olhos?
Perita em perguntas-disfarce,
deixo a outra entretida
em desarmar armadilhas,
organizar as cores do cubo
mágico, montar o móbile.
Ah, sou poeta, sabe?
Por isso é que sei criar
esses efeitos sentimentais
a partir do ridículo. Não diz
nada, apenas finge que sente,
que esqueceu de escrever
a carta de despedida,
perdeu as chaves e chove.
Ah, eu sei que não chove.
Agora deixa que eu finjo.
De verdade: “você tá q tá”. Lá, na reunião da nossa turma, contarei a origem da frase, é um senhor elogio.
Que texto lindo! “Fingere”, em latim, é fingir E inventar.
Amei, seu poema é lindo, aliás são lindos…principalmente o coração chove o título é bonito também.
Não vou fingir, gosto muito daqui.
Que poema lindo, Kátia! Uns fingem que sentem, outros fingem que acreditam no sentimento! Nós e as nossas máscaras! Amei!! Um beijo!!
Beleza de fingimento. E uma possível definição pra poesia: “Por isso é que sei criar /esses efeitos sentimentais / a partir do ridículo.”
É isso aí.