Kátia Borges

Posts de Julho, 2009

Quando entrar setembro…

In Escritores, amigos, evento literário on Julho 28, 2009 at 5:21 pm

panco_blogOi, gente, dia 1 de setembro, tem Nilson e Maria na Tom do Saber, no Rio Vermelho, lançando seus livros pela P55. Imperdível. Aí, no dia 5 de setembro, na Mídialouca, no mesmo bairro, estarei com o pessoal do coletivo C.O.R.T.E (Sandro Ornellas, Lima Trindade, Gustavo Rios e Wladimir Cazé) e a banda Pastel de Miolos num recital rocker.  Apareçam nos dois eventos. Antes, no dia 8 de agosto, estarei em Maracás, a cidade das flores, a mais de 500 quilômetros de Salvador, participando do ”Uma prosa sobre versos”, que é coordenado por Edmar Vieira. Mayrant Gallo, que estava na programação oficial do projeto, não poderá ir nessa data. Se quiserem embarcar conosco, serão bem-vindos.

Nossa senhora de copacabana

In poesia on Julho 24, 2009 at 1:50 pm

Nossa Senhora de Copacabana,
dai-nos o Sol todos os dias,
mesmo no Inverno. Dai-nos
o seu calor sem termo,
Nossa Senhora de Copacabana

Dai-nos um céu de brigadeiro
a cada semana, dai-nos um céu
de brigadeiro, Nossa senhora
de Copacabana

Dai-nos alvoradas sem medo
Dai-nos manhãs de poesia
Dai-nos entardecer sem tédio
Dai-nos o pôr-de-sol mais belo
 Sim, e nós a aplaudiremos

Rede de afetos

In Blogs de amigos, amigos, orações, poesia on Julho 22, 2009 at 1:27 am

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Acima, o santo criado por Renata Belmonte para Maria Sampaio. E deu vontade de agradecer a vocês pela diversão, poesia, prosa e beleza de cada post em seus blogs. Acertou quem definiu isso aqui como uma rede de afetos.

Esboço

In Sem-categoria on Julho 18, 2009 at 4:31 am

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De bonito, Danúbio já  tinha o nome, dado pelo médico assim que botou a cara no mundo e abriu os olhos. Eram uns olhos muito azuis, e mais azuis ainda em contraste com a pele, muito negra. A mãe aceitou aquele nome sem conversa, por respeito e timidez. Sem pais, sem pai, filho repentino nos braços, os dois nas graças de Deus. Assim foi criado, feito um grande rio sem margens, sem visão de um mar possível. Apanhou de padrastos vários que duravam no máximo dois verões até começar a bater. Ah, Danúbio. Bom menino, tranquilo, louco por um caminho que o levasse à nascente de alguma coisa verdadeiramente boa.

O barraco, os ratos, a comida rala, o dinheiro pouco. Aos 18 foi ser boy de um banco, graças a boa aparência, aquele encanto de ser preto com olhos de branco, as mulheres ficavam loucas. Tímido, o menino sonhava com outros prazeres, a vida mansa do patrão, caixa de banco, chegando em uma moto, calça e camisa engomados, barriga pronunciando a mesa farta, uns trocados a mais no bolso. Nada. Salário mínimo entregue para as despesas. No máximo, as gorjetas de quando ajudava senhoras com as compras no mercado. Jornada dupla e mais colégio. Primário sofrível, segundo grau esperto, com colas e mais colas. Iria para a faculdade em breve, contrariando os prognósticos. Filho de preta, a mãe dizia, tem que aprender uma profissão técnica. Nada, ele pensava. Vou é ser médico. Ser chamado de doutor, cortar o mal nos outros.

Não foi, não deu, bem antes caiu na malha dos amigos. Tessitura consistente que envolvia a todos na rua em que morava, praticamente vala, a casa de Danúbio. Com eles aprendeu a fumar erva, pular muros, catar bagulhos e prensar na boca com cuspe. Engolir, se fosse preciso, para escapar dos homens. Vendendo bagulho comprou um táxi. A mãe feliz: agora achou-se. O táxi rodava dia e noite, levando clientes dos traficantes, e logo ele fez jus ao nome. Virou o europeu, o maioral, deslizando feito a valsa azul, em afluentes de crimes. Bacana, comprou casa de varanda, geladeira duplex com dispenser na porta, fogão de seis bocas e forno micro-ondas. A mãe de vestido bonito, última moda, homens mais jovens na cama, apê em Copa, veraneio em Búzios, passeios de lancha. E Danúbio correndo, inexoravelmente, de terno Ermenegildo Zegna, rumo a um mar de sangue.

Hotblog dos livros de Nilson e Maria

In Escritores, Livros, Mundo pop, amigos, evento literário on Julho 16, 2009 at 6:42 pm
Foto: Marcus Gusmão

Foto: Marcus Gusmão

A escritora carioca Ana Paula Maia inventou o trailer de livro para lançar o seu “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”. E Santiago Nazarian já está gravando o dele, de “O prédio, o tédio  e o menino cego”. Mas Nilson Galvão e Maria Sampaio, que lançam seus livros no dia 1º de setembro, estão um passo adiante. Marcus Gusmão acaba de inventar o primeiro hotblog de livros do País, com tudo a que os autores têm direito, incluindo reserva de compra de exemplares, um luxo de originalidade (morram de inveja, paulistas e cariocas). Cliquem na foto e vejam.

Cães são anjos (Para Maria Sampaio)

In cães, poesia on Julho 16, 2009 at 2:22 pm
Foto: AP

Foto: AP

Deu hoje no G1: Num zoológico chinês, dois filhotes de urso panda rejeitados pela mãe estão sendo amamentados por uma cadela e só sobreviveram graça a ela.

Mãe

In poesia on Julho 10, 2009 at 9:37 pm

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Mãe, não ponha a mesa,
parece que sou visita,
parece que sou princesa.
Ah, é, sim, ela me diz,
naquele jeito terno dela,
para mim, você é princesa.

Versos encantados desde la Habana

In poesia on Julho 8, 2009 at 6:37 pm

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eu cometo versos
como quem lê Florbela Espanca numa quinta de Lisboa
repousado entre o branco marfim da cidade e o vermelho do sol
na mesa de uma taberna ao lado de uma garrafa de vinho tinto
descubro e me enamoro da musa e da brisa e do sal do mar
ao longe a praia aguarda pelos marinheiros que nunca se foram
 
eu cometo versos
como uma ilha chilena atenta à espera de um náufrago
como colheres de prata ao sol matinal de Madrid
a desconfiança da liberdade ante um campo florido
como quem vê com alma e por isso não precisa mais dos olhos
 
Eu cometo versos
Como quem nasce de repente como quem avista a Andaluzia
Como quem brinca com a luz sobre a pele das coisas
Como o vento cochichando com o porto e com as velas brancas
Como quem busca sereias e tesouros em mares perdidos
 
Eu cometo versos
Como amantes ensandecidos pela beleza ardem numa tarde de Andorra
Como os suicidas que partirão ao amanhecer na carruagem do indizível
Sem cartas nem bilhetes suicidas
 
Eu cometo versos
Como quem comete um crime e aguarda pelo castigo dos deuses.

 

Poema inédito de Narlan Matos, baiano que vive hoje no Novo México (EUA)

 

Os cancerianos e os livros

In Brodagem, Escritores, Livros, amigos, evento literário on Julho 4, 2009 at 4:44 pm

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Mais uma leva de livros da P 55, de Claudius Portugal, será lançada no dia 7, terça, a partir das 19 horas, na Tom do Saber (“Ananke”, de Marcos Dias,  “As receitas de Mme Castro”, de Aninha Franco, e “Ao longo da linha amarela”, de João Filho). E o início da semana traz uma leva de cancerianos mudando de idade. No dia 7, jantar de aniversário de 40 anos de um dos meus amigos mais queridos, Adalberto Carvalho. Na segunda, a minha irmã caçula, Paula Alice, faz 29 anos (vale uma cerveja no Red River). E, na mesma data, Cláudia, Nanda e Dona Didi (irmã, sobrinha e mãe de Érica). Vamos festejar as três amanhã, domingo, de uma vez só. E tudo isso para dizer que só volto aqui no dia 8, quarta, a menos que um poema surja imperativo.

O coração na chuva

In poesia on Julho 3, 2009 at 7:35 pm

chuvas

Você apenas finge que sente.
Mas que tarde cinza
é essa que traz nos olhos?
Perita em perguntas-disfarce,
deixo a outra entretida
em desarmar armadilhas,
organizar as cores do cubo
mágico, montar o móbile.
Ah, sou poeta, sabe?
Por isso é que sei criar
esses efeitos sentimentais
a partir do ridículo. Não diz
nada, apenas finge que sente,
que esqueceu de escrever
a carta de despedida,
perdeu as chaves e chove.
Ah, eu sei que não chove.
Agora deixa que eu finjo.