Exausta!

Bom, foi um final de semana agitado. Na quinta-feira, eu e Mônica Menezes concorremos com Elisa Lucinda e Rubem Alves, que lotaram o auditório da Bienal. Até pensamos que o Café Literário ficaria vazio. Mas, além dos amigos, muita gente boa pintou para ver e ouvir. Falamos sobre intimidade e poesia, recitamos e respondemos algumas perguntas.

Na sexta-feira, na Praça do Cordel e da Poesia, novo páreo duro. No mesmo horário, Nelson Motta. Ficou bem vazio, umas 20 pessoas, mas foi bacana de todo modo. Recitei trocentos poemas, ao lado de Mayrant Gallo, e troquei figurinhas com um monte de gente legal e que admiro (Aeronauta tava lá).

No sábado, cedinho, Jequié. Haja estrada. O poeta Leonam Oliveira e Vitor Sá, do grupo Concriz, nos receberam do melhor modo possível. De noite, mais concorrência. Renato Piaba estava em cartaz. Uma juíza lançava um livro. Ao todo, seis eventos na mesma data. Quando cheguei tinha umas dez pessoas. Até pensei em fazer uma roda com a galera para conversarmos mais de perto. Que nada. Num piscar de olhos, foram chegando mais e mais pessoas.

O grupo Concriz, que é uma experiência fantástica de Maracás, com crianças e adolescentes recitando poesia, fez uma apresentação com meus poemas. Depois, falei sobre o trabalho e abrimos o debate. Cês precisavam ver quanta gente legal, que energia boa, que perguntas inteligentes. Conheci, entre outros, o escritor Ivonildo Calheira e o editor (esqueci o nome) do blog cultural Gicult. Depois, fomos jantar com Leonam, que nos deixou no hotel. Partimos cedinho para Salvador e fui direto para o jornal (plantão), de onde só saí depois das 21 horas. Exausta!
Hoje só segunda
Vou deixar para contar tudo na segunda, sobre a Bienal e o evento em Jequié. Aí coloco até umas fotos. Hoje, tem recital na Praça do Cordel e da Poesia, às 20 horas. Viajo amanhã bem cedinho e só retorno no domingo. Só digo que praticamente obriguei Marcus (Licuri) Gusmão e Soraya a ficarem no Café Literário. E que Gerana e Lima estiveram presentes. E que minha sobrinha de 11 anos tirou as fotos.
No twitter
Me rendi ao twitter. De quebra, convidei meio mundo pra se juntar a mim. Agora, estou lá, em http://twitter.com/katiaborges com mais papo furado do que nunca. Não reparem na bagunça e nos posts sem sentido. Ando perdida ainda, sem saber para que afinal serve aquilo. Mas é divertido. Amanhã, dia 23, às 20h20, estarei no Café Literário, na Bienal do Livro da Bahia, ao lado de Mônica Menezes. Na sexta, no mesmo horário, na Praça do Cordel e da Poesia, ao lado de Mayrant Gallo. E, no sábado, às 19h30, participo do projeto Travessia das Palavras, em Jequié, a 365 km de Salvador.
Dez cidades (para ir riscando, a cada viagem)
Mucugê
Veneza
Paris
Stratford-upon-Avon
Praga
Valparaíso
Buenos Aires
Liverpool
São Tomé das Letras
Santiago de Compostela
Paquetá 2

Nunca estive em Paquetá,
o embarque na Praça XV,
atravessando a Baía,
o chorinho na Guanabara,
a estação Cocotá,
a comida do Charretão,
em frente aos aerobarcos,
a capela de São Roque,
a histórica Freguesia.
Mas quanto mais Paquetá
de minha alma se distancia,
eu sinto a vida por lá,
as noites mornas da ilha.
Quem sou é que me dirá
se, para o destino, há uma trilha
de saibro e de flamboyants,
de ver e se deslumbrar
diante da Maria Gorda,
e as muitas conchas do mar.
Paquetá é como se não fosse,
paixão que nunca vivi,
encontros no Parque Darke,
fumaça na Praia da Guarda,
folia no Silêncio do Amor.
Não, nunca estive em Paquetá,
e é pouco provável que vá.
Paquetá é minha Pasárgada,
com seu cemitério de pássaros,
e esculturas de aves,
e almas de aves mortas.
Lá não conheço ninguém,
só a surpresa me aguarda,
com imagens que não caberão
em nenhum álbum de fotos,
daqueles que a gente guarda
para eternizar nossos mortos.
Pelo caminho dos astros
Honorável São Francisco, leva ao céu todos os bichos que amei em minha infância. Viste por aí Possante, gato cheio de elegância que brincava de esconder? E a cadela pequenina que, atropelada por um carro, me esperou chegar do trabalho, para em meus braços morrer? Tive um macaco, coitado, enlouqueceu certa tarde, foi expulso lá de casa e vendido em São Joaquim, não sei para que menino. Já está perto de ti? E Gertrudes, São Francisco, a galinha que criei, até que virasse canja ou almoço de alguém. Se a vires ciscando no inferno, faça um cercado perto, leva pra junto de ti. Será fácil reconhecer um dos meus cães mais amados. É marrom e, na língua, falta quase meio naco. Se o vires por aí, vagando, eu lhe peço, meu doce santo, não o deixe na escuridão ou perdido no purgatório. Chama-o, põe nele um laço, e o carrega contigo, honorável São Francisco, pelo caminho dos astros.
Toda semana é santa
Vivemos no clichê
da única certeza,
a frágil esperança
de que o acaso
mande um mote,
mostre a trilha.
Deus é esta fé
em enganar
a Iniludível.
Faz voar, criar
submarinos
e calendários.
Vivemos no clichê
da indesejada
visita, “a mesa
posta, cada coisa
em seu lugar”.
Deus é esta distração
que nos protege
contra os riscos.
Faz inventar teses
e versos, zombar
dos calendários
Vivemos no clichê
das despedidas,
a frágil esperança
de barganhar o tempo
necessário.
Flor do cotidiano

Procuro uma alegria
na mala vazia
do fim do ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
o vôo de um pássaro
e de uma canção.
(Procuro uma alegria, Carlos Drummond de Andrade)
Hoje tomo alegria
“Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…” (Manuel Bandeira, Eu não sei dançar)
