Madame K

Sol lírico para Joplin, o texto

Publicado em Livros por Kátia Borges em Novembro 19, 2009

Por João Filho

Solidão, abandono, pouco dinheiro e afeto, muito afeto. Pode-se dizer em termos gerais que esses são os temas do novo livro de poemas de Kátia Borges, Uma balada para Janis, que integra a Coleção Cartas Bahianas, da Editora P55. Coleção que se iniciou em janeiro deste ano e já está com 12 títulos publicados. O livro é dividido em quatro pequenas seções: Port Arthur, Texas/High Ashbury, San Francisco/Pearl/Landmark Hotel, e os poemas são numerados. Essa divisão é a trajetória pessoal da cantora e persona Janis Joplin, mas pode ser lido também como um andamento de compasso.

Fica visível o fundo geracional de onde provém a autora. Não somente através das influências musicais e literárias, também porque quase todos os poemas são atravessados por esse lirismo dark de tom romântico e melancólico que encontramos muitas vezes nas letras de rock dos anos 1960 e 1970. Porém, ela não fica presa somente à sua geração, ou tribo. Kátia Borges consegue voos mais longos e duradouros, e toca em pontos nevrálgicos da nossa condição.

A suave densidade de muitas imagens: Simples como se nota/na ponta do lápis/uma ínfima parte/do branco da folha. A linguagem simples, não fácil, e musical contrastando com os temas ásperos. Em vários momentos há nessa junção um desespero que não explode. Ao contrário, aceita as baixezas e armadilhas da vida e prossegue. É comovente o tom de resignação reflexiva da autora: Tão pouca, esta minha vida,/pela qual agradeço, cada órgão/que funciona a contento. [...] Tão pouco, este amor,/pelo qual agradeço./E tão imenso. Como quem saboreia um gole fresco de água ou cerveja e agradece ao sol do dia.

Certo prosaísmo, que não diminui, antes acrescenta à dicção da autora, pois muitos poemas foram originados de cenas cotidianas, como este: Na porta da mercearia/de bairro, fumo um cigarro,/o primeiro do dia, após/ um acontecimento que/não é de amor ou de poesia. O viés estilístico ao construir o verso, principalmente os iniciais de cada poema, possibilita singularidades como esta: A vida é mais punk /que Joan Jett e Carmen Electra juntas,/ e nem tem o charme endinheirado/de uma Second Life.

Esse segundo livro mostra a maturidade da autora, seus melhores recursos técnicos, uma variedade de ritmos interessante, construção imagética fértil calcada numa densa reflexão sobre o estar no mundo, maior referência literária, musical e plástica. As confluências incidentais mais visíveis são Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Ana Cristina César e Mario Quintana. Esse segundo livro faz com que Kátia Borges se afirme como uma das poetas mais importantes de sua geração nascidas em solo baiano.

Um pequeno arranhão, a meu ver, nesse belo livro-vinil: o poema nº 9 da última seção denota certo panfletarismo com laivos feministas. Apesar da saudável rebeldia que perpassa alguns poemas, esse nº 9 destoa do conjunto.

Confesso que o seu primeiro livro De volta à caixa de abelhas não me cativou como esse. Sim, livros de poemas são coisas vivas, ou nos cativam ou nos enxotam e Uma balada para Janis embala-nos.

Serviço

Livro: Uma balada para Janis
Autor: Kátia Borges
Editora: P55 Edições
Preço: R$ 10

Um sol lírico para Joplin

Publicado em Livros por Kátia Borges em Novembro 19, 2009

 

Resenha de João Filho sobre a Balada, publicada no Portal Literal. Acabei de receber via e-mail, tinha que postar.

Uns dias

Publicado em férias por Kátia Borges em Novembro 14, 2009

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Ficarei uns dias sem postar, concentrada num projeto essencial.  Talvez tenha boas notícias em breve, não sei.

A balada da balada 3

Publicado em Sem-categoria por Kátia Borges em Novembro 11, 2009

Revi ainda amigos do coração da vida inteira (Franklin Carvalho, com Adauto, Linda Bezerra, com Terê, Adalberto Carvalho e José Eduardo Matos Franco, com Tom). As minhas duas irmãs queridas, Bárbara e Paula Lice. As duas sobrinhas lindas, Mariana e Júlia. O ator Rafael Medrado, namorado de Mari, que chegou mais tarde. O cunhado querido, Marcelo Sousa. Érica, presença essencial, e suas irmãs (Lêda, Sônia, Cátia e Cláudia, com Manoel Francisco). As sobrinhas de Érica, Victória, Silvinha e Nanda. E algumas ausências: Ângela Vilma, Ana Clélia e Bomfim, Mayrant Gallo, Marcus Gusmão e Soraya, Antonio, irmão de Érica, a mãe de Érica e a minha mãe.  Meu pai mandou um recado para mim em sonho na tarde do dia 10: “estou com você”. E estava.

A balada da balada 2

Publicado em Livros, evento literário por Kátia Borges em Novembro 11, 2009

Muitos artistas visuais também estiveram na Tom do Saber. Foram festejar Maxim Malhado, quase tão nervoso quanto eu. Valéria Simões, Zuarte, Edgard Oliva… E os colegas de jornalismo, de agora e de sempre. A galera da revista Muito (Nadja Vladi e Priscila Lolata, Ronaldo Jacobina, Marcos Dias, Tatiana Mendonça, Katherine Funke) e do jornal (Ranulfo Bocayuva, Florisvaldo Mattos, Iloma Sales, Patrícia Moreira, Regina de Sá, Josélia Ribeiro). Lucy Bruni e Agnes Cardoso, que conheci no primeiro estágio profissional da vida, na Rádio Educadora. Minha homônima Kátia Borges, do Crear. O músico Tuzé de Abreu. Devo estar esquecendo alguém, peço desculpas.

A balada da balada

Publicado em Livros, evento literário por Kátia Borges em Novembro 11, 2009

Timidez e ansiedade me fizeram chegar antes das seis na Tom do Saber e beber uns dois uísques no susto. Mas tudo começou a dar certo quando Maria Sampaio, que chegou com Bete Capinan, iluminou o ambiente. Claudius Portugal, que coordena a coleção Cartas Bahiana, já tinha chegado também e ficamos conversando sobre a poesia dos anos 70 no Rio de Janeiro. Ele participava do grupo Folha de Rosto. Já tinha visto Suênio Campos de Lucena na livraria. Ele falou sobre o livrinho estar pronto e bem bonitinho, eu nem tinha tocado nele ainda. Fui ver e amei. Depois, chegaram Adelmo Oliveira, Gerana Damulakis, Aramis Ribeiro Costa, Antonia Torreão Herrera, Luis Antonio Cajazeira Ramos, Aninha Franco, Állex Leilla e João Filho, Karina Rabinovitz, Marcus Vinicius Rodrigues, Nilson Pedro e Emília Valente, Lima Trindade, Adelice Souza, Mônica Menezes e Carlos Barbosa, Washington Queiroz, Lúcia Carneiro, Márcio Sousa e muitos outros. Tantos escritores, tanta gente legal.

Apareçam!

Publicado em Livros, evento literário por Kátia Borges em Novembro 3, 2009

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Santa Luzia

Publicado em Qualquer bobagem por Kátia Borges em Outubro 31, 2009

Fiquei uns dias sem tempo pro Madame. Estou tocando um projeto pessoal e focada 100% nele. Mas o fim de semana é de feriadão e terei folga do trabalho. Cedinho, viajo para Mangue Seco e, de lá, vou para Aracaju. Um lugar chamado Ilha de Santa Luzia. Não conheço, nem sei direito onde fica. Há uma ponte que se deve atravessar em Aracaju. Pretendo ler bastante por lá, mas será complicado escapar da praia. Então é procurar uma sombra e vencer as páginas. E haja páginas!

Publicado em jornalismo por Kátia Borges em Outubro 23, 2009

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Uma balada

Publicado em Livros, evento literário por Kátia Borges em Outubro 22, 2009

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No dia 10 de novembro, uma terça-feira, à noite, na Tom do Saber (Rio Vermelho).