Kátia Borges

Posts de Setembro, 2008

A casa antiga

In poesia on Setembro 30, 2008 at 1:26 pm

Vivia em conserto,
a casa antiga.
Mudavam as telhas,
compravam madeira,
renovavam as ripas,
ajeitavam a cumieira.
 
A casa antiga, apenas
25 metros quadrados,
era tudo que restara
do passado, da família,
na vila, na vida. E não havia
outro modo de ter um teto.

Feito enxurrada, mais
e mais trocados iam
na eterna reforma.
E as janelas caindo,
o beiral carcomido, 
o caibro, a terça, o pendural.

E pedreiros amigos
visitando as lojas,
carro cheio de tijolos,
meio torto, e a casa antiga.
De nada adiantava
pintar paredes e portas
pôr cores sóbrias,
caprichar na tinta.

A cada chuva, o mofo
brotava do invísivel,
esparramando, negro,
venenoso visgo, engolindo
todo esforço de mudança
e viço. Eram fantasmas,
ou memórias, que escorriam,
corroendo as novas vigas.

Até tornar ir embora imperativo.

Mariana

In papo furado on Setembro 28, 2008 at 11:42 pm

 

Lembro do dia do nascimento dela, 6 de outubro de 1988, no Hospital Evangélico, em Brotas. Meu cunhado pálido de emoção. Em poucos dias, aquela coisinha loura lá em casa. Morávamos na Ribeira, num sobrado, e eles ficaram conosco por um tempo. Ela mobilizava as atenções, as emoções. E é assim até hoje. Quando nasceu, eu tinha exatamente a idade que ela completa daqui a uma semana. Vinte anos. Uma idade linda de se ter e de se ver. Ela já foi bailarina e ginasta, já viajou muito (conhece até a Bulgária), possui uma coleção inacreditável de medalhas, está fazendo o curso livre de teatro e canta incrivelmente bem. Hoje, cantou lindamente para mim “Me and Bob MgGee”, de Janis. Para ela, a bênção é incondicional. Para ela, peço diariamente a proteção de todos os anjos.

Cinamomos

In poesia on Setembro 27, 2008 at 5:03 pm

Não sei que cinamomos tolos
chorarão por mim.
Sim, de olhos bem abertos,
nesta varanda,
enquanto o sol vai se pondo
no ritmo do soul, eu vou
orando, tolamente só,
nesta varanda.

E nem os cinamomos chorarão por mim.

In Imagens on Setembro 27, 2008 at 12:55 pm

A vinda dos ets

In Curiosidade, Imagens, Vídeos, Youtube, papo furado on Setembro 26, 2008 at 6:10 pm

Quando criança, um dos meus grandes medos era pegar fogo. Literalmente. Tudo culpa do sensacionalismo do “Fantástico”, que divulgava casos de combustão humana espontânea. Isso existe, sim, tem até na wikipedia. Sempre fui fissurada por lendas urbanas. Teorias de conspiração e que tais incendiavam a minha imaginação. Agora, uma australiana chamada Blossom Goodchild, que diz conversar com seres extraterrestres, afirma que eles farão uma visita ao nosso planeta no dia 14 de outubro. Será apenas uma aparição, sem papo, uma ação de mídia intergaláctica. Tem até vídeo no Youtube (veja aí em cima). Quando Cássia Candra me contou, reagi na boa. Apenas perguntei: “será que eles são do bem?” Parece que sim, pois o nome da facção é “Federação da Luz”. Eles pretendem ficar por aqui durante três dias e revelam a intenção de assumir o controle da Terra.

Passeio completo

In poesia on Setembro 26, 2008 at 2:45 pm

 

Vamos sair um dia desses,
por essas ruas antigas.
Sim, a passeio, por essas ruas
de piso cabeça-de-nego,
por essas ruas muito lindas.

Vamos caminhar pela cidade,
sem destino. Sim, por essa cidade
de todos os becos, como anjos
margeando em vôo o azul da Baía
de todos os santos. Sim, vamos

juntos, compondo, com linhas de água
o percurso, pois não quero ficar esperando,
feito Penélope, a chegada de amantes distantes.

Quero mais é partir com você
pelo centro antigo, ver as vitrines
da Politécnica, e os inferninhos
da Carlos Gomes, dar um beijo no poeta na Praça
Castro Alves.

Sim, diga que sim,
que vamos juntos, olhar os casarões
do Santo Antônio, e ficar por ali,
enquanto o sol vai baixando,
e a noite, e tudo, convida.

 

Chave de fenda e Boca doce

In Curiosidade, Humor, Vídeos, Youtube on Setembro 24, 2008 at 11:48 pm

Essa eu peguei no blog de Márcia Rodrigues, o delicioso Sarapatel. Adorei “Claudinha Boca Doce”, mais até que “Marcela Chave de Fenda”.

Fiz as pazes com meu mestre

In Divagações on Setembro 24, 2008 at 1:55 pm

                                                              

“O movimento está em seus primórdios e, por isso, deve-se fortalecê-lo através do repouso para que não se dissipe num uso prematuro. Esse princípio básico, de fazer com que a energia nascente se fortifique através do repouso, aplica-se a todas as situações similares. A saúde que retorna após uma doença, o entendimento que ressurge após uma discórdia, enfim, tudo o que está recomeçando deve ser tratado com suavidade e cuidado, para que o retorno leve ao florescimento.”
[Hexagrama 24 - Fu | Retorno (O ponto de transição)]

Compartilhando poesias

In poesia on Setembro 23, 2008 at 7:50 pm
Sorrindo como sorriem os homens
quando são apenas
o que são, apenas
homens. Quando olham para
as estrelas e nelas vêem
estrelas, e nelas vêem
brilhantes, e nada além
ou aquém: e nelas intuem a
noite sem que se saiba da
noite que sonho vão.
Sorrindo como quem sabe
que não.
(Um poema sem que se saiba, de Nilson Pedro, do Blag)

Clique na imagem e leia um texto bacana

In Celebridades, Citações, Curiosidade, Divagações, Santiago Nazarian on Setembro 23, 2008 at 7:35 pm

Peteleca

In Divagações on Setembro 23, 2008 at 2:35 pm

Bom, a matéria. Fiz uma algazarra com essa história aqui no blog. Desculpem. É que nunca mais tinha feito uma reportagem na vida. E logo sobre um cara que admiro desde criança. Minha irmã, Paula, diz que ler Vinicius na infância deforma a expectativa amorosa. Pode ser. Pessoalmente, não fiquei muito feliz, embora a matéria tenha sido bastante elogiada. Poderia ter sido bem melhor. Hoje, Marcus Gusmão me trouxe a notícia de um poema feito para Peteleca. Lindo! Ele viu a história no site de Marcelo de Trói . Não sabia dela, o que foi uma pena. Não sei o grau de envolvimento do poeta com a moça. Mas olhem o poema que ele fez inspirado num quadro de Jenner Augusto:

 

“Para mim, quando o vi (quadro soberbo!)

Pintaste Peteleca (sem sabê-lo…)

A jovem e pequenina puta negra

Que aos estudantes sempre dá primeiro

Não só porque é por eles adorada

Como porque em geral não têm dinheiro

E que nas noites de Salvador

Vive alegre, volátil e sem medo

E que, se bem notardes, quando passa

Tem um aro de luz sobre os cabelos”

 

 

Para começar a semana

In Divagações, Imagens on Setembro 21, 2008 at 10:35 pm

Minha plantinha de estimação. Finalmente consegui fazer uma foto nova dela, em flor. O final de semana foi de descansar, de ler, de conversar com amigos. No sábado, um caruru bem bacana de Cosminho. No domingo, almoço com a família, passeio com o cachorro e mais leitura. Tudo bem tranqüilo, no ritmo que gosto. Amanhã, tem trabalho e a primeira palestra do seminário sobre seriados americanos de TV. No canal Cinemax, estou revendo “O Iluminado”, de Kubrick, um filme de arrepiar e que não canso de assistir.

In poesia on Setembro 20, 2008 at 12:44 am

Antes do sábado, a cidade
desarruma-se. Os carros
deixam suas garagens.
Semáforos orquestram o trânsito.

Na mesa do bar, penso na tia da moça
que mora lá em casa, desenganada
e pobre. O garçom traz um chope,
Um moço ri em outra mesa.

Mundos diversos.
Antes do sábado, ah, a cidade
arremessa-se. Os homens às mulheres.
Os com saúde e com dinheiro.

Na mesa do bar, penso
na tia da moça que mora la em casa.
O garçom, o moço, o chope.
E, gole a gole, percebo:

é a vida mesmo
uma inútil paisagem.

Chamada pra matéria da Muito

In Imagens, Muito, Vídeos, Youtube, jornalismo on Setembro 19, 2008 at 4:30 pm

Sai domingo, a matéria. Fizemos o vídeo pra divulgar a edição (já está no ar no site da revista). Relevem os quilinhos a mais.

Certo dia na cidade

In Imagens on Setembro 17, 2008 at 3:27 am

Homem em queda

In Divagações on Setembro 16, 2008 at 4:41 pm

A insônia do último domingo me levou a assistir  ao documentário “Falling Man” no GNT.  “Falling Man” é a foto tirada pelo americano Richard Drew em 11 de setembro de 2001.  As lentes de Drew capturaram o salto de um homem do alto do WTC, numa seqüência angustiante. Só uma delas foi publicada. Um jornalista tentou identificar o cara nas imagens. Achou que havia acertado. Errou. O escritor Tom Junod, interessado pelo estigma que cerca as 200 pessoas que se atiraram naquele dia, levantou outra possibilidade de identificação, para concluir ao final que o mais importante é justamente que não seja possível saber quem é  o “Homem em Queda”.  A foto é de fato impressionante, inquietante, pela aparente tranqüilidade do vôo vertical, perfeitamente harmonizado com as linhas ao fundo. Não vou publicar, mas os interessados em ver podem clicar aqui.

A lista (mais dez)

In Música, Vídeos, Youtube on Setembro 15, 2008 at 3:45 am

1 – Valerie (e tudo de Amy Winehouse, vídeo)
2 – Light my fire (The Doors)
3 – Tangerine (Led Zeppelin)
4 – Mind Games (Lennon)
5 – Under the bridge (Red Hot)
6 – No rain (Blind Melon)
7 – Amanhã é 23 (Paula Toller)
8 – Caminho das Índias (Moraes Moreira)
9 – Inverno (Adriana Calcanhotto)
10 – Promessas demais (Ney Matogrosso)

In Divagações on Setembro 15, 2008 at 3:05 am

Márcio, tô pensando… O que quero do “Madame”? Nada, não. Não quero ser descoberta por uma editora, nem parecer inteligente, nem preencher carências, nem angariar elogios. Fiz o blog na tentativa de me obrigar a escrever diariamente e, de certa forma, isso funcionou muito bem. O “Madame” é um caderno de rascunhos eletrônico. Pronto, achei a grande definição do blog. Um caderno de rascunhos eletrônico e público. É isso!

In Divagações on Setembro 13, 2008 at 6:11 pm

Tenho acompanhado o papo sobre blogs nos blogs. Desde que decidi criar o meu, estimulada pelo autor do Cova Rasa num caruru de Santa Bárbara (o primeiro post é de 18 de dezembro de 2006), venho realizando um esforço enorme para me manter animada. Todo dia, um post é um bom ritmo. Mas os domigos são especialmente angustiantes. Como sou inquieta, fico mudando as paisagens. Tem horas em que a tentação de apertar o delete é grande. A coisa boa é conhecer gente. Nilson Pedro, lá no Blag, lista seus e-amigos, termo genial que creio ter sido cunhado por Marcus Gusmão, do Licuri. Para mim, moça tímida, muitas vezes tomada por arrogante, a blogosfera tem sido um espaço de troca. Posso visitar Maria Sampaio em seu cantinho. Rir das tiradas de Márcia no Sarapatel. Viajar nas histórias de infância da aeronauta. Acompanhar a aventura de Paloma em São Paulo. A poesia de Nilson. As andanças culturais de Celso. As leituras de Gerana.  A inteligência plugada de Franciel. E tantas outras histórias… De vez em quando, todo mundo entra em crise mesmo. Há períodos em que isso fica mais acentuado. Nessa curvinha do final do ano, então.

Bukowski

In poesia on Setembro 12, 2008 at 7:33 pm

Quando for um velho, eu,
eu quero continuar selvagem,
que o branco dos cabelos
não me santifique, que o branco
dos olhos não me cegue
inteiramente. Quando eu for
um velho, como esses
que vejo hoje, com graça
e boa vontade, que saibam todos
o quanto continuo jovem
e rebelde. Quando eu for
um velho, espero que sobre
a voz, à mão, o gatilho de um revólver,
inda que erre, que lance a fúria
e tudo me inquiete enormemente,

enquanto eu não for.

Infância

In Família, amigos on Setembro 12, 2008 at 3:08 am

Fui criada vendo mamãe preparar caruru todo ano. Lembro dela cortando os quiabos em cruz, descascando os camarões e os amendoins, cozinhando quantidades inacreditáveis de galinha no dendê. E das panelas gigantescas no fogo, operando o milagre do vatapá. Os pratos montados depois pareciam obras de arte gastronômicas, oscilando entre o doce e o salgado, com a harmonia das cores dos três feijões combinada ao ocre do acarajé, ao amarelo do abará… Todo ano, em 4 de dezembro, meu pai cumpria promessa a Santa Bárbara. E havia uma imagem dela, bem bonita, clássica, emoldurada e iluminada, em nossa casa. A tradição ficou com minha irmã mais velha, Bárbara, que herdou também o quadro antigo. Recentemente, comprei um igualzinho e pendurei na sala. Juro que meu apartamento ficou bem mais confortável, com cara de infância.

Minha kalanchoe

In Imagens on Setembro 11, 2008 at 10:51 pm

Aqui ela estava ainda tímida, no início do florescimento. Agora está bem mais colorida. Publico a foto a pedido de Maria Sampaio.

Luxo só!

In papo furado on Setembro 11, 2008 at 6:00 pm

Na vibe de fazer uma horta na varanda do apartamento, pesquisando plantinhas legais e que possam ser cultivadas em pequenos espaços. Acho que é a Primavera no meu coração. Exames médicos me esticaram para uma dieta forçada e exercício físicos. Caminhadas no condomínio contra alta do triglicerides e o ácido úrico. Dedos “despelando” nas pontas. A glicose também precisa de atenção. Hoje, soube que meu cachorro, um poodle, é cafona. A raça saiu de moda. Bem, ele usa gravata borboleta de vez em quando. Outra descoberta que fiz, com a ajuda de Katherine Funke, foi que tenho uma Kalanchoe em casa. Nossa, ela fica linda nessa época do ano, com flores vermelhas nos ramos, uma coisa! Queria até fotografar para colocar aqui, mas tenho medo de parecer esnobe. Afinal, ter uma Kalanchoe na varanda, isso sim, é luxo.

Compartilhando poesias

In poesia on Setembro 10, 2008 at 1:45 am

Incursão (de Nilson Pedro)

Veio a noite, e o mar
na orla do tempo, foi um dia
frágil que nasceu de dentro
de outro dia frágil, que
aurora tênue, minha nossa
senhora de tudo
que passa.

Vamos com calma, ok?

In Divagações on Setembro 9, 2008 at 9:27 pm

Mais um dia cheio. Dormi cedo ontem. Puro cansaço. Nem vi A Favorita. Hoje, mais sono ainda. Concluindo a matéria, chega a hora de ver o texto tomar forma, cortar linhas e linhas, tirar dúvidas, ler e reler e reler e reler. E sofrer. Na expectativa do domingo. A capa, já fizemos uma, ficou linda. Espero estar à altura do tema com meus 1,49. Acho graça de quem se leva muito a sério. A menos que você seja motorista ou cobrador, tudo é passageiro. Sente o alcance zen da frase? Então, vamos com calma, ok?

Antes da tempestade

In poesia on Setembro 8, 2008 at 6:24 pm

Antes da tempestade,
fiz um chá, molhei as plantas,
 fui pra varanda olhar a luz do dia,
refletida no teto dos carros,
e vi mães apressando o passo
com seus filhos, avós e netos.

A chuva veio forte e lenta,
como se caminhasse, a água,
repartindo o dia em dois –
anoiteceu de repente
dentro da tarde.

Bebi meu chá
lentamente – o aroma
adocidado do mate pairando
sobre os móveis. A TV
silenciada por trovões.

Na parede amarela da sala, Santa Bárbara
dividia comigo as aflições.

Domingo

In Divagações on Setembro 7, 2008 at 8:45 pm

Domingo sempre lembra a infância na Cidade Baixa. Rádio transmitindo futebol. Cheiro de comida boa. Parentes conversando alto. A televisão ligada num programa-tranqueira qualquer. As crianças e os vizinhos em algazarra. Tristeza ao entardecer. Mas hoje é vida adulta. Domingo tem almoço com as mães em um restaurante. Séries nos canais fechados. Passeio com o cachorro no condomínio. Escrever um post novinho no blog. Tentar esquecer o início da semana. E os problemas que nunca folgam nos fins de semana. E ler alguma coisa. Só a tristeza permanece a mesma. Mas “é melhor ser alegre do que triste. Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como uma luz no coração…” É, sim, como uma luz no coração.

Cântigo Negro

In Imagens, Vídeos, Youtube, poesia on Setembro 6, 2008 at 12:46 pm

(Maria Bethânia, recitando o poema do português José Régio em 1982)

Clima de fim de semana

In Imagens, Música, Vídeos, Youtube on Setembro 6, 2008 at 12:28 pm

Uma emoção na coisa

In papo furado on Setembro 6, 2008 at 12:24 pm

Ainda sobre João Gilberto. Me incomodou nas matérias que li sobre ele o tom de “última vez”. Tudo bem que João já tem 77 anos, mas quem pode garantir que a despedida será dele e não do repórter que escreveu o texto? Ninguém sabe. Daqui a sete anos, João terá 84, mas, como bem lembrou Gerana Damulakis, Charles Aznavour fez shows até essa idade. Fico com a impressão de que foi pra “dar uma valorizada” ou, seguindo a escola Pedro Bial de jornalismo, botar emoção na coisa.

Violência

In papo furado on Setembro 5, 2008 at 8:24 pm

Um cara matou a mulher com 144 facadas e golpes com espeto de churrasco. Preso, disse que faria tudo de novo. “Ela tava me roubando”. Os dois têm uma filha de 3 anos. Woman is the nigger of the world, como cantava Lennon? Há algum tempo, um homem negro foi morto por uma policial feminina em Feira de Santana. O crime foi estar num carro importado ao lado de uma mulher branca parado numa esquina. “Em atitude suspeita”, disse a autoridade. Segundo o GGB, o Brasil é campeão de crimes contra homossexuais no planeta. Em 2007, 122 foram assassinados. E a Bahia lidera o raking da intolerância no Nordeste, considerada a região mais perigosa do País para os gays. Numa esteira rolante, sem sair do lugar, mas suando horrores, é assim que caminha a humanidade.

Waldick

In Divagações, jornalismo on Setembro 4, 2008 at 11:41 pm

Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE

Waldick Soriano morreu hoje. E sinto orgulho da matéria sobre ele que publicamos na Muito. Salvo engano, foi a última grande matéria sobre o bardo de Caetité. E publicada aqui, na capa de uma revista baiana, com a dimensão que ele merecia e merece, escrita por Zezão Castro, então repórter de A TARDE, um cara que respeita verdadeiramente o Sertão e o que Waldick representa para a música brasileira. Um acerto da edição e do jornal. E ainda disponibilizamos na net trechos inéditos do documentário sobre ele feito pela atriz Patrícia Pilar, que gentilmente nos enviou um CD com as imagens e falou com exclusividade sobre o trabalho. Nem sei descrever o entusiasmo que sentimos ao ver o resultado das andanças de Zezão pelo Brejinho das Ametistas. O depoimento de velhos amigos e namoradas. Os relatos hilários sobre o período em que ele foi galã dos puteiros. Uma delícia de texto. Falei sobre o prazer da reportagem no post anterior. Mas editar também é grande. É ver a matéria imaginada ganhar vida na página e perseguir o diabo nos detalhes.

A vida não tem deadline

In Divagações on Setembro 4, 2008 at 3:09 am

Estou fazendo uma reportagem. Não é resenha e nem comentário de dez linhas. Uma matéria de verdade! Deliciosa e cansativa como deve ser. Aquele cansaço gostoso de ir atrás das fontes. Aquela sensação esfomeada de quem caça novidades. Muitas coisas boas. Minha emoção vai nessa roda gigante. Estresse, risos, surpresas, inseguranças, pequenos prazeres. Teste de fogo para uma capricorniana que há mais de cinco anos anda com sapatos impecáveis. Esta semana,  meti meu All Star vermelho na areia. Conversei com motoristas, cruzando a cidade. Descobri que um deles é budista. Que o outro só faz exames médicos pressionado pela filha. E que um outro faz faculdade, mas se acha velho para começar a carreira. Conversei também com intelectuais, artistas e pescadores. E tive nas mãos papéis raros, confissões íntimas, constrangedoras, de gente que idolatro. E fotos que mostram a alegria de pessoas hoje mortas. E edições raríssimas que encheram meus olhos. Como se fosse possível assim tocar o passado, reter a memória, estabelecer de algum modo um diálogo.

Zen

In poesia on Setembro 3, 2008 at 4:21 pm

Escrever versos livres é fácil.
É só usar as mesmas palavras
do cotidiano. Jogue duas para o alto
e, quando caírem, abra as mãos
[aí estão, amigo, e são luxuosamente outras].

Ah, é quase como lavar pratos [lave uns pratos!]
e, lavando pratos, chegar a um outro lugar
iluminado, tão claramente que, ao enxugá-los, tem-se
a exata impressão de entender o mundo
inteiro, e tudo, completamente.

Muita grana mesmo

In papo furado on Setembro 2, 2008 at 10:50 pm

Não vou ver João no TCA. Nem tentei entrar na fila. No momento, até R$ 180 fazem falta no orçamento. Mas dormi pensando em João, com a vizinha do andar de cima fazendo o barulho de sempre. E ouvi muito João na casa de Cláudia e Manoel no domingo, num delicioso cozido light, com direito à brisa de Praia do Flamengo na varandinha e prosa boa. Dizem que andam vendendo ingressos pro show a mil reais. Confesso que se tivesse muita grana, mas muita grana mesmo, comprava dois. Vá lá, três. Sorteava um aqui no “Madame”. Na foto, João com Astrud. Não consegui achar o crédito. Sou do time dos que amam João Gilberto.

Aviso aos navegantes

In papo furado on Setembro 2, 2008 at 12:33 pm

Oi, gente, os comentários agora demoram um pouco para aparecer por conta da moderação. Nem preciso explicar as razões, né? Então, paciência aí e vamos adiante. Bj.

A lista (10 músicas de Janis)

In Música, Youtube, listas on Setembro 1, 2008 at 10:07 pm

1 – Trust me (vale a pena esperar carregar o vídeo)
2 – Get it while you can
3 – A woman left lonely
4 – My baby
5 – One Night Stand
6 – Little girl blue
7 – Maybe
8 – Me and Bobby McGee
9 – Piece of my heart
10 – Somebody to love

Um assunto

In Divagações on Setembro 1, 2008 at 9:35 pm

Vinha com um assunto. No carro, dirigindo, com um assunto. Quando finalmente acesso o blog, me foge o assunto. Um livro que Lima me trouxe, “Como quem parte”, de Paulo Fichtner. Fui ler um poema no elevador, perdi o assunto. O tema do post. Bom, deixa que volte. Fiquei impressionada com a ida ao Icba no sábado para ver o pessoal do Corte e Paulo Scott. Não sabia que em Salvador se fazia rap com tanta vitalidade. E até o gaúcho Scott caiu no rap. Gostei do pocket recital, da galera, dos punks. Um punk pediu os restos do que comíamos. Raspou os pratos e saiu com a travessa na mão. Só chucrute. O garçom torceu o nariz quando explicamos o sumiço da travessa, que ele só foi achar depois numa outra mesa. Meninas com piercing apareciam para pedir fogo. Tudo muito legal. Mas lembrei o tal do assunto, um filme que eu vi ontem de madrugada no Telecine Cult, “Beautiful Boxer”, um longa tailandês de 2003, baseado na história real de um lutador de kickboxing chamado Nong Toom, que era transexual e lutava para juntar grana e mudar de sexo, além de manter a família paupérrima. Faz pensar o contraste entre a delicadeza de Toom, com seus batons, arranjos de flores nos cabelos e hormônios femininos, e a violência dos golpes do may thai (ele vencia quase sempre por nocaute) que aplicava nos adversários. Ao completar a transição, Toom passou a participar de campeonatos femininos. Mas, afinal, o que é mesmo mulher e homem?

Jacko

In Imagens, jornalismo, papo furado on Setembro 1, 2008 at 1:28 am

O senhor de 50 anos na foto é Michael Jackson sem as operações de “branqueamento”. O retratro foi montado e publicado pelo jornal Daily Mail.

Segunda

In papo furado on Setembro 1, 2008 at 12:25 am

Domingo. Ouço Amy Winehouse. Algo me incomoda. E nem é a vizinha barulhenta e louca. Talvez o amigo que precisa de ajuda. Ou este circo em volta. O TCC que não sai do zero. O vazio de um patrulhamento idiota. Ou ver meu Bahia sem estádio e sem honra. E essas rimas internas, tediosas… Quem sabe, a ausência de um verso. Ou o fato de, muitas vezes, olhar em volta e só enxergar deserto.

Pessoa

In papo furado on Setembro 1, 2008 at 12:04 am

Estou farta de semideuses. Onde é que há gente no mundo?