Kátia Borges

Posts de Agosto, 2008

Paciência

In Divagações on Agosto 31, 2008 at 11:55 pm

Contando: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10…

Fuga

In poesia on Agosto 31, 2008 at 10:39 pm

Um dia vazo,
profundo mar.

Sociais

In Brodagem on Agosto 28, 2008 at 7:32 pm

Hoje, tem lançamento do “Livros de Imagens” de Antonio Naud Júnior e de vários livros do extinto selo As Letras da Bahia, a partir das 17 horas, no Palácio Rio Branco (Praça Municipal). Serão lançados: “Capoeira de Angola como treinamento” (Evani Tavares Lima); “O velho coronel e outras crônicas” (Regina Oliveira), “Ruínas aladas” (Luiz Fernando Calaça); “Ari Barroso e a invenção do Brasil brasileiro” (João Edson Rufino), “A poesia em crise, a palavra em pânico, o espelho náufrago” (Jorge Lima), “Ao amigo desconhecido” (Lago Júnior), “A outra margem” (Idmar Boaventura); “As voltas do tempo” (Lucia Santori-Carneiro) e “Belas e feras baianas” (Doralice Alcoforado, póstumo). E, no sábado, às 18 horas, tem lançamento do livro do gaúcho Paulo Scott, “Ainda Orangotangos”, no pátio do Icba, numa parceria do grupo Corte, que é Wladimir Cazé, Lima Trindade, Katherine Funke, Sandro Ornellas e Gustavo Rios, com o pessoal do Remix-se.

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In poesia on Agosto 28, 2008 at 1:52 pm

O poeta em mim

O poeta disse que há um Deus em mim.
E disse sem dizer – ou não dissesse.
Ah, poeta, eu sou o Deus de tua prece,
erva daninha axial de teu jardim.

Melhor: eu sou o totem do esconjuro
que dá sentido a teu mundéu de fé.
Ainda melhor: sou tudo o que não é
senão o escuro que disfarça o escuro.

Que Deus te disse! Tua própria voz
abre horizontes, mas os fecha em nós.
E o fado triste alegra-se em destino…

Eu creio, poeta, pois que Deus me disse,
olhando a hora como quem sorrisse:
tu és meu bálsamo do desatino.

Nova versão do poema de Luís Antonio Cajazeira Ramos

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In poesia on Agosto 26, 2008 at 12:31 pm

Há um poeta em mim

O poeta disse que há um Deus em mim…
E o disse sem dizer, ou não dissesse.
Ah, poeta, eu sou o Deus de tua prece,
erva daninha axial de teu jardim.

Melhor: eu sou o totem do esconjuro
que satisfaz a teu mundéu de fé.
Inda melhor: sou tudo que não é
senão o escuro que disfarça o escuro.

Que Deus te disse! Tua própria voz
abre horizontes que se fecham nós,
e o fado triste alegra-se em destino.

Eu creio, poeta (pois que Deus me disse,
da Sua efêmera e espectral ledice):
tu és meu bálsamo do desatino.

Luís Antonio Cajazeira Ramos

Desencontros de primavera

In Divagações on Agosto 25, 2008 at 4:02 pm

Minha avó Alice, mãe de meu pai, era uma figura. Meio índia, cega, cheia de crendices, sabia histórias de assombração que fariam até Poe tremer. Eu e minha irmã ficávamos sentadas na porta da casa dela, escutando, impressionadas. Mais que cantar, minha avó amava ouvir canções. E me pedia para cantar para ela “Desencontros de Primavera” de Hermes Aquino. Às vezes, eu estava brincando com as crianças da vizinhança e ela me gritava da porta e pedia: “Canta para mim aquela modinha que eu gosto”. E eu cantava. A letra, decorada especialmente para atender ao pedido, eu sei até hoje:

Uma andorinha, no céu, passou e disse
que o amor que eu tinha foi-se embora

Ai, desacerto que cruza nossas vidas tão normais
é solidão que já vem,
é alegria que vai

Uma tristeza que corta a alma da gente
antes que a primavera se decida
à por as flores nos campos,
e o verde nas folhas,
com banhos de mar
O sol por sobre a cidade,
O vento vai cessar.

Ah! a solidão é uma canoa
navega o corpo e a alma voa
além do céu, além do mar

Ah! No pensamento a gente voa,
qualquer problema é coisa à toa,
fica tão fácil de se amar…

Eu me recordo dos beijos, gosto e tudo
E dos amores que praticamos juntos,
O sal do corpo esquecido
Nas noites tão doces de beijos e paz
Realidade é uma sombra
Eu começo a sonhar…

In Imagens on Agosto 23, 2008 at 3:54 pm

“Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão”

(Medalha de São Jorge, letra de Moacyr Luz e Aldir Blanc)

Sincretismo

In Divagações on Agosto 22, 2008 at 9:04 pm

Um probleminha básico me deixou sem internet em casa. Leminski tem um poema em que fala que problemas não tiram férias, nem saem de folga nos fins de semana: “Aos domingos, saem todos a passear. Senhor e senhora problema com todos os seus probleminhas”. É algo assim. Já os orientais dizem que se o problema é grande, não adianta se preocupar. Se pequeno, não há razão para se preocupar. Gosto dos orientais, da sabedoria, dos koans, dos contos zen-budistas, de Sidarta, da simbologia dos hexagramas, do I ching. Gosto também dos orixás, de Iansã, de Iemanjá, do canto, da dança, do culto às forças da natureza. Dos santos católicos. De Santa Rita de Cássia, de São Francisco de Assis, de Santa Bárbara, de São Jorge. Das orações. Tenho paixão por orações. Pelo ritmo e dramaticidade do Salve Rainha. Pela força quase mágica da Oração de São Jorge. E ainda lembro com carinho as palestras na Mansão do Caminho, com Divaldo Franco/Joanna de Angelis. Um probleminha básico me deixou sem internet em casa. Para quê me preocupar?

O poema

In poesia on Agosto 22, 2008 at 2:36 am

De Donana, só lembro os olhos muito azuis.
Os olhos engoliram o resto das lembranças,
que já não eram muitas.

Eu era pequenina e fui
levada pela mão, achando uma maçada
estar naquele fim de mundo
para ver Donana morrer.

(Eu nem sabia quem era aquela mulher,
ela ainda não morava em meu coração)

Os olhos de Donana sugaram minha alma
para dentro de um passado
que trago nas entranhas.

Seu Francisco Benvenuto já havia ido
conhecer as planícies de outro mundo.

E me despedi sem dor e sem palavras.

Avós

In poesia on Agosto 21, 2008 at 7:11 pm

Donana e Francisco Benvenuto, filhos de imigrantes, pais de minha mãe. A ela, dediquei um poema em “De volta a caixa de abelhas”, onde narro nosso primeiro/último/único encontro.

Mães

In poesia on Agosto 21, 2008 at 7:11 pm

Sempre que posso, clico essas senhoras lindas: minha mãe e a mãe de Érica. Na foto, as duas em Praia do Forte.

Cheiro de fruta boa

In Brodagem, jornalismo, poesia on Agosto 21, 2008 at 5:31 pm

Fiquei feliz hoje ao receber exemplares do livro de Lúcia Santóri-Carneiro, Lucinha. Escrevi um texto para a orelha de “As voltas do tempo”, mas ainda não havia visto de perto, tocado, lido direitinho. Foi lançado na véspera da minha operação (em abril). Achei que ficou lindo. Gostei bastante. E, relendo o texto que fiz, lembrei o conto que ela escreveu, “Tangerina”, uma delícia de tessistura. Este ano é a minha segunda orelha (a primeira foi de Lago Jr.), e o legal é que me orgulho das duas. Não só pelos bons autores/pessoas, mas pela qualidade da escrita. Narlam Matos, poeta baiano que mora hoje nos EUA, mandou via e-mail seu novo livro de poesias, ainda inédito. Acho que ele vai lançar por lá (não sei se sairá no Brasil). Ontem, fiz uma pausa para arrumar o meu. Listei mais de 60 poemas que quero incluir, pensei em nomes possíveis, em imagens que posso usar na capa, no formato que desejo (possivelmente, um pocket book), no tipo de página, letra etc. Enfim, sinto que ele começa a ganhar forma mental.

Os olhos tristes da fita…

In Sem-categoria on Agosto 20, 2008 at 2:07 am
Mixwit

Feijão com arroz

In papo furado on Agosto 19, 2008 at 10:56 pm

Pronto. Consegui instalar o site meter hoje. Ando sem assunto e sem inspiração. Não tenho a criatividade de Marcus Gusmão, que posta fotos da infância e textos incríveis em seu Licuri. Fico mais no meu feijão com arroz. E, por falar em feijão com arroz, fui fazer um teste ergométrico hoje, parte de um chek up cardíaco. Cortei os cigarros, que já eram poucos, os doces e as massas. O cardiologista mudou o remédio que controla a pressão e ainda estou me adaptando. O exame de hoje me exauriu. Uns minutinhos na esteira, cheia de fios no peito, e quase caí dura. Volto lá na quinta-feira para ver no que deu.

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In poesia on Agosto 18, 2008 at 8:03 pm

Mulher e pássaro
(Dora Ferreira da Silva)

Voltamos ao jardim
ao banco lavado pela chuva.
Pedimos o verde ao verde
a flor à flor
sem quebrar-lhe a haste. Bastaria a manhã.
(Nossa presença
desalinha ar e folhas
num frêmito.)

Mas se nada pedimos
como quem dorme seguindo a linha natural
do corpo
respiramos o puro abandono:
um pássaro alveja o azul (sem par)
ultrapassa o muro do possível
e assim damos um ao outro
a súbita presença
do Céu.

Mais 10

In Música, listas on Agosto 18, 2008 at 12:20 am

1 – Vôo de coração (Ritchie, inesquecível)
2 – Primeiros erros (Kiko Zambianchi, hino de adolescência)
3 – Coisas da vida (Rita Lee, essencial)
4 – The most beatiful girl in the world (Prince, eterno príncipe)
5 – Colombina (Ed Motta, a letra é de Rita Lee)
6 – Inverno (Adriana Calcanhotto, poesia de Antonio Cicero)
7 – Here comes the sun (Beatles, na voz de Nina Simone)
8 – Alguém como tu (Ângela Maria, me lembra Gina Lollobrigida)
9 – Ribbons in the sky (Stevie Wonder, bem romântica)
10 – All for a reason (The Alessi Brothers, essa é de 1976!)

In poesia on Agosto 16, 2008 at 2:31 pm

Calçadão da Barra

In Salvador, jornalismo on Agosto 15, 2008 at 2:54 pm

Cheguei da Europa e soube, aqui, do crime que o prefeito de Salvador está cometendo no Porto da Barra. Não posso ficar calado. É uma indecência manter as pessoas desinformadas a ponto de entrarem na guerra suicida à calçada portuguesa. O calçamento português é marca importante da nossa vida física e espiritual. Os incômodos que porventura venham de sua má conservação não são motivo para destruí-lo. Em São Luís (atualmente a cidade mais bonita do Brasil), as antigas calçadas portuguesas foram restauradas com o esmero técnico adequado e não provocam trepidação em carrinhos de bebê nem engolem saltos de madames. E são vastas e extensas áreas da cidade que as ostentam. As praças de Lisboa apresentam a mesma firmeza e a mesma elegância. Por que há tantos baianos votando a favor desse descalabro? Será que voltamos ao mau gosto vulgar que dominava antes de Jaime Lerner recuperar o Largo da Ordem em Curitiba? Regredimos para visão grosseira que teria deixado o Pelourinho, em Salvador, e o Largo da Lapa, no Rio, virarem pó e serem substituídos pelo caos dos restos da arquitetura moderna que enfeiam o Brasil? São restos culturais de baixa qualidade que se oferece aos grupos emergentes da sociedade, em nome da democracia. Não creio que seja um caso para votações inspiradas nesse tipo degradado de democracia. É caso para ouvirem-se os especialistas, respeitarem-se os locais históricos e míticos, esboçar-se uma reestruturação inteligente da cidade. Se isso não agrada de imediato a uma (suposta) maioria desavisada, não importa. O essencial está num texto escrito por Ordep Serra: um texto excelente sob todos os pontos de vista. Então, um lugar como o Porto da Barra pode ser violado assim? Não. Protesto veementemente. Não se pode adotar piso de concreto e granito polido na curva do Porto e tampouco a retirada das árvores. O que é que há com Salvador que o prefeito começou a construção de uma favela nas areias da orla e esse esboço continua lá, enquanto uma horda de desinformados apóia a destruição do Porto da Barra?

(Carta de Caetano Veloso, publicada hoje em A TARDE)

Família

In Imagens on Agosto 15, 2008 at 2:01 am

No clima dos blogs de Gusmão, Maria Sampaio e Aeronauta, publico aqui uma das raras fotos da minha infância. Saiu na capa do meu único livro. Na foto, eu, mamãe e minha irmã mais velha, Bárbara. Eu aponto com o dedo alguma coisa lá adiante. Minha irmã pensa numa traquinagem e dá um sorriso tímido. Mamãe, orgulhosa das crias, me abraça, temendo uma queda.

Guia

In poesia on Agosto 15, 2008 at 12:36 am

Falava pouco, uma palavra ou duas,
mas dizia com os olhos
frases inteiras de pura poesia.
Um ano e meio sóbrio e um dia
voltara a todos os vícios,
desarrumando a vida,
tornando estar perto perigoso.
Não era de alegria, se dançava
pelado na sala, pois seu corpo
expelia um visgo que escorria
venenoso. Ah, seu tonto,
quanto amor desperdiçado,
quantas contas partidas (desassossego
e abandono) em sua guia.
Falava pouco, uma palavra ou duas,
e assustava a todos quando ria.

Dublê de corpo

In papo furado on Agosto 14, 2008 at 11:59 pm

Todo mundo já escreveu sobre isso. As meninas chinesas Yang Peiyi e Lin Miaoke. A pequena cantora “feia” e sua dublê de corpo “bonitinha”. Nada mais emblemático. Não vi a abertura dos jogos de Beijing, mas ouvi comentários sobre a gradiosidade e o luxo da cerimônia. Não me entusiasma a pirotecnia retocada por computador da China, sua culinária exótica de espetinhos de escorpião ou sua riqueza econômica plastificada. Quando penso na China, o que me vem à cabeça é a beleza simbólica dos hexagramas do i ching. As tradições da China cantam, mas é outra China que aparece na TV.

Vinho e poesia

In poesia on Agosto 13, 2008 at 10:40 pm

Nos encontramos, na última sexta, na casa de Luís, em Amaralina, como conta Gláucia Lemos numa crônica deliciosa no blog de Gerana Damulakis. E o encontro foi registrado por Lima Trindade com sua câmera digital. A noite teve comida boa, gente bacana, papo agradável, vinho e poesia.

De volta ao trânsito

In papo furado on Agosto 13, 2008 at 10:08 pm

Um dia cansativo. Após o trabalho, fui pegar a nova carteira de habilitação no Detran. Os jogos olímpicos têm acabado comigo. Fico entretida com a TV até perto das 2 da madrugada. Não que espere um ouro brasileiro. Sabia que teríamos poucas chances. Mesmo assim, fico com um olho na tela e o outro no computador. Preciso concluir ao menos uma parte da monografia da especialização da Facom até o final deste mês. E o Bahia? Depois da derrota pro Marília, desisto. Vou acompanhar de longe, sem me comprometer emocionalmente. De longe, também, ando observando o movimento literário dos conterrâneos. No dia 23, pela manhã, Mayrant Gallo e Carlos Ribeiro autografam a revista “Solaris” na LDM. Em setembro, Zé Inácio Vieira de Melo lança um CD de poemas, “A Casa dos meus Quarenta Anos”. Vi hoje e achei graficamente bem bonito, mas ainda não escutei. Há mais dois lançamentos importantes, nacionais, com presença de escritores baianos. Uma coletânea de contos masoquistas, da Dix, com Adelice Souza e Renata Belmonte, e uma outra, que marca o centenário de Machado de Assis, da Geração Editorial, “Capitu mandou flores”, com Carlos Ribeiro, Aleilton Fonseca, Suênio Campos de Lucena e Hélio Pólvora reescrevendo textos de Machado. E por esses dias, até 16, o querido Lima Trindade está em Brasília, sua terra natal, participando de um projeto chamado “Cartografia Web Literária”, debatendo com um bocado de gente bacana sobre literatura e internet. É isso.

Parabéns, poeta!

In Celebridades, amigos, poesia on Agosto 13, 2008 at 2:10 am

(Ontem, 12, Luís Antonio Cajazeira Ramos fez aniversário. Não fui até a casa dele, comer o bolo preparado com carinho por sua mãe. Perdi. Mas aqui no “Madame” nada se perde)

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In poesia on Agosto 13, 2008 at 1:32 am

O grande desastre aéreo de ontem

Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu stradivarius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o pára-quedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.

(O poema do post anterior, de Angélica Freitas, dialoga com este, de Jorge de Lima, dedicado a Cândido Portinari)

Compartilhando poesias

In poesia on Agosto 13, 2008 at 1:26 am



mi
eu penso em béla bartók
eu penso em rita lee
eu penso no stradivarius
e nos vários empregos
que tive
pra chegar aqui
e agora a turbina falha
e agora a cabine se parte em duas
e agora as tralhas todas caem dos compartimentos
e eu despenco junto
lindo e pálido minha cabeleira negra
meu violino contra o peito
o sujeito ali da frente reza
eu só penso


mi
eu penso em stravinski
e nas barbas do klaus kinski
e no nariz do karabtchevsky
e num poema do joseph brodsky
que uma vez eu li
senhoras intactas, afrouxem os cintos
que o chão é lindo & já vem vindo
one
two
three

(um poema de arrepiar escrito por Angélica Freitas. Gaúcha, ela estreou com “Rilke Shake”, editado pela 7Letras, e tem o blog Tome uma xícara de chá)

Tão imenso

In poesia on Agosto 11, 2008 at 6:32 pm

Tão pouco, este meu suado salário,
pelo qual agradeço, cada centavo,
cada moeda de dez, cada níquel
que sobra no bolso.

Tão pouco, este meu teto, abençoado,
sobre o qual se sustentam outros sete,
mesmo que ainda deva uns tostões à CEF,
e a vizinha de cima faça barulho.

Tão pouca, esta minha poesia,
pela qual agradeço, cada verbo,
cada palavra rimada, ritmada,
cada verso que escapa.

Tão pouca, esta minha vida,
pela qual agradeço, cada órgão
que funciona a contento. Cada um dos meus olhos,
caçando beleza, achando mistérios.

Tão pouco, este meu talento,
pelo qual agradeço, estas mãos,
que aprenderam cedo a ganhar o pão.
E esta língua, que não sabe de línguas, mas fala de amor.

E este amor, meu amor, este amor.
Tão pouco, este amor,
pelo qual agradeço.
E tão imenso.

A lista (mais 10 canções)

In Música, listas on Agosto 11, 2008 at 2:26 am

1 – * Borderline (Madonna, vídeo)
2 – Theres a light that never goes out (Smiths)
3 – Girls Just wanna have fun (Cindy Lauper)
4 – Nosso louco amor (Gang 90)
5 – Victims (Culture Club)
6 – Eu queria ter uma bomba (Cazuza)
7 – Ciúme (Ultraje a Rigor)
8 – Metal contra as nuvens (Legião Urbana)
9 – With or without you (U2)
10 – Uns dias (Paralamas)

* Taí, Gerana, o primeiro vídeo de Madonna que eu vi na vida.

A máquina

In poesia on Agosto 8, 2008 at 5:35 pm

Fazendo poesia, vamos, os delicados,
sendo triturados pelas engrenagens
desta grande máquina. Alguns,
mais selvagens, farão versos com sangue,
escrevendo impropérios com a ponta das unhas.
Outros, mais tranqüilos, perseverarão
no lirismo, com o que lhes restar de sanidade.
Fazendo poesia, vamos, os delicados,
sendo triturados pela grande máquina
(até que Deus nos salve).

Compartilhando poesias

In poesia on Agosto 8, 2008 at 2:55 pm

Pensa, Whitman
(Nilson Galvão)

Pensa, Whitman, a poesia triunfou.
O homem só pode viver do que sonha,
e de sonhos é composta toda a trama
que há em volta. Toda maravilha
do mundo.

Calcula, Whitman. Toda a extensão do teu amor
não abarca a extensão do que veio e virá
para além dos teus versos. Mas
o amor, Whitman, foi inventado pela poesia,
e a ela deve tudo. A poesia
triunfou.

(Cara, fiquei sem palavras diante desse poema no Blag. E ainda roubei a foto)

Timidez

In poesia on Agosto 8, 2008 at 12:30 am

Queria falar sobre amor,
mas mantinha os olhos baixos,
no desassossego de ver aquela boca
sem beijo e comentar sobre a chuva
que insistia em cair no estio
e o caos no trânsito: “sempre lento”.

Da noite longa, estendido corpo
no chão da sala, tocar a mão
de leve, a palma, roçar os dedos.

Não diria nada (sabe-se lá o certo).
E, se perguntassem, responderia
que o acaso rege o destino,
e que é a gravidade, e não o amor,
que move os astros no universo.

Sobre amor

In papo furado on Agosto 7, 2008 at 2:26 am

Achei o meu poema “Amor” num blog de conteúdo adulto. Já escrevi antes aqui sobre como esse poema, que está em “De Volta à Caixa de Abelhas”, ganhou pernas. Já o encontrei até num daqueles fóruns do Yahoo onde se comenta tudo.

Em outra ocasião, troquei e-mails com Élcio Domingues, de Campinas (SP), que o postou. Uma professora paulista que não conheço fez uma breve análise dele no seu site, no qual destaca que: “aparentemente simples, o poema é uma síntese genial do sentimento”. E até um negócio chamado Net Library o traz em sua lista.

Vivo dando de cara com ele na net. Nem sempre creditado. Num fotolog, por exemplo, um cara tascou ele no perfil sem dizer de quem era. Também virou torpedo num sistema de mensagens chamado Nossa Noite, no qual figura como autora uma tal de Cláudia. E foi publicado na coluna social do Folha da Região, jornal de Araçatuba (SP). Tá solto por aí (mas dêem o crédito, pô).

Mais 10

In Música, listas, papo furado on Agosto 6, 2008 at 1:40 am

1 – Diamonds on the inside (Ben Harper, vídeo)
2 – One place (Everything but the girl)
3 – Estrada do Sol (Dolores Duran)
4 – Trem do Pantanal (Almir Sater)
5 – Open your eyes (Snow Patrol)
6 – O lado quente do ser (Marina Lima e Antonio Cicero)
7 – Planeta Sonho – (14 Bis)
8 – Oração ao Tempo (Caetano Veloso)
9 – Chovendo na Roseira (Tom Jobim)
10 – Aventura (Eduardo Dusek)

Compartilhando poesias

In poesia on Agosto 5, 2008 at 1:45 pm

In poesia on Agosto 3, 2008 at 7:00 pm

Inacreditável seria se
em Marte nunca encontrassem
vestígios de água (e só existisse
a humanidade no universo)

Inaceitável, sim, seria
que não existisse em Titã
um lago (ou duvidar
do corpo incorrupto de Santa Bernadete)

Pois absurdo não é crer, mas ser incrédulo
e se achar imune a qualquer mistério
(quando até a Lua abriga muitos mares)

Impossível seria não apostar que, um dia,
qualquer homem poderá banhar-se
no Mar das Chuvas, no Oceano das Tormentas,
no Mar das Serpentes (no Mar da Serenidade)

Minhas 100 músicas prediletas

In Música, listas, papo furado on Agosto 1, 2008 at 12:56 am

Zeca Camargo pretende listar suas 100 músicas prediletas no blog que mantém no G1. Decidi tentar fazer o mesmo, de dez em dez, a cada semana, sempre destacando uma em vídeo.

1 – Boys don’ t cry – The Cure (vídeo)
2 – The Joker – Steve Miller Band
3 – Alteza – Maria Bethânia (letra de Waly Salomão)
4 – Mãe – Gal Costa (letra de Caetano Veloso)
5 – The long and winning road – Beatles (letra de Paul McCartney)
6 – Bye Bye, Brasil – Chico Buarque
7 – Un vestido y un amor – Mercedes Sosa (letra de Fito Paez)
8 – Downtown Train – Tom Waits
10 – The first cut is the deepest (Cat Steves, hoje Yusuf Islam)