Março 2008


imagem.jpg  Naomi Watts em Cidade dos Sonhos

Um ideário futurista no bolso
e o desejo de ser Deus,
a providenciar a noite perfeita
para esquecer as chaves de casa.

Um segredo, após mil indiretas,
e a certeza de que amar seria o certo,
o acerto, a entrada pros mistérios.

O império do medo,
com suas flores amarelas,
e os seus lábios com o mesmo vermelho

de uma tentação que espera,
armando seu disfarce santo, e desespera
ante a queda do encanto.

Uma gripe fortíssima me pegou na quinta-feira. Há tempos não me sentia tão péssima. Febre de delirar, suores frios, tremores, um horror. E os médicos nada esclarecem. O que me examinou na sexta-feira, só descartou pneumonia. A que me atendeu no sábado disse apenas que não era dengue. Fiquei na base do paracetamol e do amor de mãe.  E, na sexta, para completar, era aniversário de Érica. Sequer pude ir na casa dela. Uma tristeza. Felizmente, no sábado, ela veio me ver e trouxe um delicioso pedaço de bolo e a claridade da sua presença. Os dias de doença me fizeram pensar sobre blogues e máscaras. E percebi que a estrada que seguimos na literatura é absolutamente solitária.

Meu amigo Luís mandou para mim 30 regrinhas para escrever bem. Foram criadas por um desses anônimos da internet. O barato de cada sentença é que ela é escrita com os erros que condena. Como o texto é longo, publico apenas 10. Não passa de uma brincadeira, sem pretensões de manual.

Para escrever bem…
1. Evite ao máx. a utiliz. de abrev.
2. É despiciendo fazer-se empregar de um estilo escritural demasiosamente rebuscado, num esmero nímio e exabundante, que raia o ostentatório e narcisístico.
3. Lute para anular literalmente o atolamento de letras em aliteração.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) costuma ser desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça jóia, sacou?… Então, valeu!
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar seu texto numa merda fodida.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

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Desconfio de que existem cães que são anjos da guarda. Esse aí mora lá em casa.

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Uma das primeiras fotos de divulgação da peça, que estréia dia 4 de abril, às 21 horas, no Martins Gonçalves (Escola de Teatro da Ufba, no Canela).

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Jared Leto engordou 28 quilos para viver Mark Chapman no cinema. O filme mostra o crime pela ótica do assassino.
    Sossega, coração! Não desesperes!
    Talvez um dia, para além dos dias,
    Encontres o que queres porque o queres.
    Então, livre de falsas nostalgias,
    Atingirás a perfeição de seres.
    Mas, pobre sonho o que só quer não tê-lo!
    Pobre esperança a de existir somente!
    Como quem passa a mão pelo cabelo
    E em si mesmo se sente diferente,
    Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
    Sossega, coração, contudo! Dorme!
    O sossego não quer razão nem causa.
    Quer só a noite plácida e enorme,
    A grande, universal, solente pausa,
    Antes que tudo em tudo se transforme.
    Fernando Pessoa, 2-8-1933.

No Breezes Costa de Sauípe tudo é superdimensionado, especialmente a comida. Um pé direito gigantesco abriga famílias de várias nacionalidades. As crianças correm por entre as mesas, sujas de doce, seguidas por empregadas vestidas de branco. Os homens bebem além da conta e desmaiam nas camas king size. As mulheres desfilam cangas e roupas de banho e corpos de sereia e rostos com botox. Na área da piscina, dois bares disparam centenas de doses de uísque 12 anos e drinques sacudidos em coqueteleiras de inox. Uma baiana oferece acarajés e abarás. Garçons equilibram fatias de pizza, sanduíches e pratos diversos. E é tanta comida que perde-se a fome. Após a meia-noite, nada acabou-se. Sai a ceia e há sempre mesas cheias. Num bar interno, lobos solitários… Jogamos baralho no lobby até quase 3 e meia. Às duas horas da madrugada, um rapaz vem repor os lanches. “É para amanhã?”, perguntamos. Quanta ingenuidade. “É para agora mesmo”, ele responde. Há sanduíches, café, chá, sucos e chocolate. E olhe que o Breezes já viveu dias melhores. Nos corredores, um exército de camareiras reveza-se na limpeza dos quartos. Há copos por todo o lado. Gente que pede um drink e dá apenas um gole. “Muito doce”. “Meio amargo”. “Muito fraco”. “Muito forte”. Mocinhas adolescentes bebem frisante. Homens fortes aplacam a sede com Logan. A boate é dominada pelos argentinos que tomam a pista sem animação e dançam.  Toca uma música esquisita. Fugimos entediados. No piano-bar, uma moça canta para uma platéia de três casais. E os restaurantes temáticos já estão fechados. Passeamos pelo saguão sem portas. Chove. Um grupo enorme aguarda o ônibus que o levará ao aeroporto.  Mais cedo, fomos à Vila da Praia.  E foi como estar em um cenário de novelas. Sem dramas. O luxo de cada coisa a neutralizar o caos em tons pastéis. Olho o céu. Há estrelas por detrás das nuvens. Adivinho o domingo ensolarado na piscina enorme.

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Roula Kubba, 13, posa ao lado de um poster de Angelina Jolie no quarto que divide com a irmã em Bagdá. A foto foi tirada em 2006 por Chistoph Bangert, do “The New York Times”. Jolie esteve em Bagdá em fevereiro último, representando a ONU, com a missão de dar visibilidade aos mais de 2 milhões de iraquianos que perderam suas casas e tentam, agora, retomar suas vidas numa terra arrasada, inclusive culturalmente. Atualmente, um dos negócios mais rentáveis no Iraque (localizado onde foi a antiga Mesopotâmia) é o contrabando e a venda ilegal de relíquias (o Museu Arqueológico de Bagdá foi saqueado em 2003 e perdeu mais de 15 mil peças) e a exploração de sítios arqueológicos, que são escavados por aventureiros sem qualquer técnica ou cuidado. 

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