Kátia Borges

Posts de Janeiro, 2008

Na TV

In Blogs de amigos, Brodagem, Sandro Ornellas, papo furado, poesia on Janeiro 31, 2008 at 5:58 pm

Gente, repasso e-mail com convocação de Sandro Ornellas (achei o texto simpático, espero que ele não se incomode):

Dia 02/02 (Iemanjá no Rio Vermelho, sábado de carnaval no Campo
Grande, fantasia, cerveja e alegria) o programa “Leituras” da TV Senado
(canal 53, aberto em UHF – pega com bombril na antena e alguma
paciência) estará comentando meu livro “Trabalhos do Corpo”, junto com
o do broder de terras baianas José Inácio Vieira de Melo.
Os horários do programa (na Bahia) são: sábado (9h30 e 20 horas) e,
reprise, domingo (8 e 20 horas).

 Vamos nessa!

À sombra de Iroco

In poesia on Janeiro 29, 2008 at 8:34 pm

O ciclo ainda está aberto, e nele eu danço
com a alma inteira e o corpo a descoberto,
esparramado na poeira do borralho. Inteira
danço.

Um dia estaremos todos à mesa,
como numa reunião de família ou num retrato,
e entranharemos nossos rostos nessa estranheza
de pertencimento.
Os que vieram primeiro já observam nossos passos,
e entre vivos e mortos há um só rastro
(por onde seguem todos,
queiram ou não queiram).
Nada peço ao Tempo, deixo que os ponteiros corram,
enquanto ergo um templo, carregando pedras,
plantando flores, cimentando tijolos,
erguendo em mim, em meu próprio corpo,
a cerca branca de uma existência.

Um poema de Pessoa

In Citações, Fernando Pessoa, poesia on Janeiro 29, 2008 at 12:54 pm

Para ser grande, sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda brilha,

Porque alta vive.

Sem fome e sem poesia

In poesia on Janeiro 28, 2008 at 1:46 am

Não me peça que lhe diga
uma palavra definitiva.
O silêncio que engulo,
ou substantivo murcho,
é apenas o que reparti
com o meu melhor amigo
quando nada mais havia
para beber no copo,
e a noite ardia, azia,
no colo da madrugada,
sem fome e sem poesia.

Expectativas

In papo furado on Janeiro 28, 2008 at 1:30 am

Fui convidada para as bodas de ouro dos pais de meu cunhado. No dia 16 de fevereiro. Uma frase de Rilke ilustra a capa do convite. Inspiração de Márcio, do Cova Rasa, que a cada dia escreve melhor. Os pais dele são duas pessoas muito queridas. Fiquei pensando no que representa viver meio século ao lado de alguém, criar filhos, ir ao nascimento de bisnetos. Vou devagar nessa viagem. No meu ritmo. Meu coração está repleto de expectativa. Rever os colegas, voltar ao trabalho, encarar de frente os desafios. Fico em atividade até fevereiro e dou uma parada forçada em março para cuidar da saúde. O ano, de fato, só começará em abril, quando já estiver de pé e bem. Espero. Aí é correr atrás do segundo objetivo de 2008.    

Pura pretensão

In Brodagem, papo furado on Janeiro 24, 2008 at 7:22 pm

Andei pensando no comentário deixado por Ari Coelho sobre o post “Depressão em céu azul” e concluí que ele tem razão. Cazuza já havia dito coisa parecida em “Pro Dia Nascer Feliz”. Acho que era algo assim: ”a depressão é pretensão de quem fica fazendo fita”.  Eu faço é fita, drama, manha. Meu problema é mimo. E é bom tomar um puxão de orelhas de vez em quando. Valeu, Ari. 

O melhor leitor

In Citações, poesia on Janeiro 23, 2008 at 5:18 pm

O melhor leitor de poesia não é o que julga ou compreende o poema, mas o que lhe amplia os sentidos, deixando que as palavras e as intenções do poeta, ainda que ocultas, vivam.

Mayrant Gallo

Um poema de Emily Dickinson

In Emily Dickinson, poesia on Janeiro 23, 2008 at 4:57 pm

Tive uma jóia nos meus dedos -
E adormeci -
Quente era o dia, tédio os ventos -
“É minha”, eu disse.

Acordo – e os meus honestos dedos
(foi-se a Gema) censuro -
Uma saudade de Ametista
É o que eu possuo.

Tradução: Augusto de Campos

Lima Trindade na TV (e pequenos furtos na blogosfera)

In Blogs de amigos, Brodagem, Citações, Lima Trindade on Janeiro 22, 2008 at 3:35 pm
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Dia 26/01 (sábado),
no Programa Leituras, da TV Senado,
por Maurício Melo Junior.
Os horários são:
sábado (9h30 e 20h) e domingo (8h e 20h, reprise)
Post do blog de Sandro Ornellas, foto do blog de Gustavo Rios.

Meu segundo cachê

In Teatro, papo furado on Janeiro 22, 2008 at 2:15 pm

Apesar da deprê, fiquei feliz com um lance hoje. Recebi um cachê pelo texto que escrevi para teatro. A peça deve estrear em abril. São vários autores e estarei na companhia de Adelice Souza, Elísio Lopes Júnior e Cláudia Barral, entre outros. O segundo cachê. O primeiro foi o do ”Mídia Poesia”. Há um terceiro vindo por aí. Pequenos, porém valiosos.   

Depressão em céu azul

In Blogs de amigos, papo furado on Janeiro 22, 2008 at 1:23 pm

Estou encarando a primeira depressão de 2008. E nas férias! Acabei rompendo relações até com o I Ching. Em clima de hexagrama 4, Insensatez Juvenil, batendo a cabeça na parede. E volto a trabalhar na segunda. Visitando blogs, percebi uns climões esquisitos no “Vestígios da Senhorita B” e no “Contramão”. Quis comentar no blog de Mayrant, mas recuei. Acho que não entendo nada de poesia. No blog de Renata, deixei um comentário sem graça. Toca o interfone e me avisam que há uma encomenda para mim no Flor de Lotus, prédio em que morei há cinco anos, no mesmo condomínio. É um livro de Luís Augusto Cassas, chamado “Evangelho dos Peixes para a Ceia de Aquário”, com orelhas assinadas por Frei Betto. Há cinco anos, lancei meu único livro, “De Volta à Caixa de Abelhas”. Foi aí que travei contato com Cassas. Na época, eu morava com meus pais no Flor de Lotus.  Enviei exemplares para Deus e o mundo. Recebi algum retorno do mundo. Ainda aguardo notícias de Deus. 

Love is a Losing Game (Amy Winehouse)

In Imagens, Música, Vídeos on Janeiro 22, 2008 at 12:30 pm

Insensatez Juvenil

In Citações, I Ching on Janeiro 21, 2008 at 2:42 pm

Eu não procuro o insensato. É o insensato quem me procura… A perseverança é favorável.

Um novo milagre

In Citações, I Ching, Viagem, papo furado on Janeiro 20, 2008 at 7:51 pm

Praia do Forte com Érica. Ficamos na pousada de Ceninha, localizada bem no meio da vila. Muito sol na moleira e a pressão alta, por conta de cigarros e comidinhas salgadas. No sábado, fomos ver Noeme Bastos cantar no “Las Margaritas”. Só na base da água tônica e da comida mexicana. Ainda no sábado, li entrevista do crítico André Seffrin no caderno “Cultural” e fiquei feliz por ser citada. Tudo que se relaciona a poesia me anima ou me destroça. De volta, penso em tocar finalmente as coisas práticas que adiei desde o início das férias. Detonei meu I Ching, relíquia de 1994, e não posso mais fazer consultas. Ainda bem que mantive comigo as moedas chinesas. Um senhor me presenteou com elas. São autênticas.  Eu estava em busca das moedas no brechó de um amigo, que ficava perto do Campo Grande. Esse moço, do nada, prometeu deixar lá de presente três moedas chinesas. Nem levei a sério. Mas, uma semana depois,  meu amigo me deu as moedas oferecidas pelo desconhecido, que guardo há uns 13 anos comigo. Cara, coisas assim acontecem de verdade. Há alguns anos, um anjo me salvou de um assalto. É uma longa história que soa meio inacreditável. E agora, exatamente agora, preciso que ocorra um novo milagre. Mas “quem, se eu gritasse, entre as legiões dos anjos, me ouviria?”

São Jack e eu (para Franklin)

In poesia on Janeiro 17, 2008 at 4:15 am

Sob a falsa neblina da madrugada,
atravessamos a larga praça,
no meio da cidade litorânea.
Vamos juntos, e de mãos dadas,
feito um casal de namorados,
São Jack e eu. Não temos nada,
sequer uma moeda. Só a vontade
de prosseguir com a bebida.
Improváveis amigos, avançamos
no asfalto, pretos e brancos,
na Visconde de São Lourenço,
tomando o microfone no Bar do Tyrson
para cantar “Andanças”. E não há
aqui, em nenhuma mesa, o amor de nossas vidas.

Lua

In poesia on Janeiro 17, 2008 at 3:51 am

A fascinante Lua nova
não me anima. Nem a menina
que se mostra, rosto em chamas.
Queria o Sol pra diluir de vez
qualquer vestígio de esperança. Mas, não.
Me vem a noite, e essa Lua indecente,
a convidar a morte ao gozo, e a indiferença
só confirma que já estou morto.

Toda vida

In poesia on Janeiro 17, 2008 at 3:45 am

Para chegar a mim,
siga nesse beco sem saída
toda vida e, antes do fim,
dobre à esquerda.
Verá apenas uma casa,
no descampado, sem jardim,
com ar de abandono e luzes
permanentemente acesas.
Cuidado: um cão feroz vaga
por ali. Senhor absoluto
do castelo, zela por
fantasmas. E formas estranhas,
numa arquitetura de Gaudí,
compõem a vizinhança:
crianças sem cabeça,
homens amarelos e mulheres
cáqui acenam das janelas.
E a bela Vicens, e a rua Morgue
ficam perto. É só seguir
toda vida nesse beco
sem saída
para chegar a mim.

EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA (Dylan Thomas)

In Dylan Thomas, poesia on Janeiro 16, 2008 at 8:02 pm

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

(tradução: Ivan Junqueira)

Alcoólicas – IV (Hilda Hilst)

In Hilda Hilst, poesia on Janeiro 15, 2008 at 6:44 pm

E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.

Eduardo Teles

In Brodagem on Janeiro 15, 2008 at 5:57 pm

Há exemplares dos livros “Laços da Paixão” (R$15,00) e “Castro Alves, o sonho de liberdade” (R$35,00), de Eduardo Teles, à venda. Colaborações podem ser depositadas na conta bancária pessoal do poeta, Banco do Brasil, ag. 0346-8, conta 7.343.1, poupança ouro. Visitas a ele podem ser agendadas para segundas, quartas e sextas, a partir das 9 horas da manhã. O endereço dele é Largo dois de Julho, Ed. Triestre, ap 501. Pedidos de livros podem ser feitos via fone (mensagens de texto) 71 9151-6713. Vamos nessa! 

Elegia ao Novo Mundo (Narlan Matos)

In Narlan Matos, poesia on Janeiro 14, 2008 at 11:09 am

Tu me perguntas meu amigo

Onde eu estive durante meu longo silêncio

Estive na açucena das canas e na amargura dos canaviais

onde as folhas tremiam de medo dos homens

Os canaviais me sussuraram em gritos horrendos

o sangue amargo que lhe adocicou a boca

As mãos ásperas que lhe enxugaram a face

O canavial que morria de fome antes de completer 27 anos de idade

Das vozes sem estrela que embalavam ao longe línguas estranhas

Ó canavial verde, de que cor é meu sangue vermelho ?

Meu sangue tem medo da morte do açoite da noite

Meu sangue tem medo de mim

Tu me perguntas meu amigo

Onde eu estive durante meu longo silêncio

            Eu estive nos navios negreiros mercantes

que mercaram meu destino até a América até agora

            beberam minhas lendas como se bebe um barril de rum podre

            mercaram cada estrela do céu e do mar infinito

            cada pássaro cada pluma de meu cocar

            e desenharam mapas com meu sangue

            e ergueram totens sobre minha tribo

            e atearam fogo nos campos sagrados do meu povo

            e suas lanças me repartiram as veias em continentes distantes

Tu me perguntas meu amigo

Onde eu estive durante meu longo silêncio

            Estive pelas escumas dos mares nunca d’antes

            Por onde vieram a pólvora a baioneta o espelho a tuberculose a siflis

            Por onde vieram a espada e o elmo

-           As nuvens jamais se esquecerão disso !

No atlântico negro

Nos tombadilhos de velhos navios piratas

Nos cababouços da crueldade humana

Nas prisões da Serra Leoa – que ainda doem em alguma dobra do meu corpo

Em Angola 

Na Guiné-Bissau

No Senegal

No Benin

Estive no reino da Guatemala

E na provincia de Yucatán

E na provincia de Cartagena de las  Indias

E nos grandes reinos e grande provincia do Peru

E no novo reino de Granada

E nas ilhas de Cuba e Trinidad

E nos reino dos Aztecas

Onde espadas de brutalidade fenderam meu corpo nu

Onde os cães de caça dos barões das índias se alimentavam dos braços e das pernas de criancas indefesas

Tu me perguntas onde eu estive meu amigo

E somente agora posso quebrar meu silêncio:

Eu estive comigo.


Poema vencedor do “The 2007 Paul Borgeson Poetry Award”, oferecido pelo College of Fine Arts da University of Illinois at Urbana Champaign.

Os meninos de Lençóis

In Cinema, Imagens, Viagem, papo furado on Janeiro 13, 2008 at 10:54 pm

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Os meninos de Lençóis é que sabem negociar informação. Por 2 reais, levam você a qualquer canto. Por 20 reais, colocam um mapa da Chapada na sua mão. De volta da viagem, fui ver Chico Cesar no Parque da Cidade (encontrei Fabiana, Franciel e Berna) e, de tarde, assisti ao filme “Meu Nome Não é Johnny” no Multiplex do Iguatemi com Érica. É, o período foi curto mesmo e nem passei perto do Capão. Sério. Ficamos em Lençóis, numa pousada bacana, mas de acesso complicado. Fomos a Iraquara, ao Pai Inácio e a Boninal. Conheci o rio Pratinha, gelado e belíssimo. Que região! Ficou a vontade de voltar e voltar e voltar. Na noite passada, gente, amarguei uma insônia péssima. O dia amanhecendo e nada de o sono chegar. Quando adormeci, tive um pesadelo terrível. Andava numa rua estranha e escura, de madrugada. De repente, aparecia um cachorro e ele disparava na minha direção. Eu sabia que ele iria me morder, mas ficava parada e apenas usava a bolsa instintivamente como proteção. Em vão. Ele me pegava bem na perna. Acordei e liguei a TV. Estava passando uma maratona da última temporada de “Friends”. Fiquei assistindo até o dia clarear totalmente. Havia postado um mosaico de fotos que fiz com meu celular (a máquina digital pifou), mas achei que as imagens ficaram pequenas e nem dava para ver a beleza. Deletei. Vou postar uma única foto que resume tudo. O aniversário foi bacana e simples, um banho de água de rio para renovar as energias. Não dói fazer 40, mas a gente pensa muito no que pretende fazer dos próximos 20 (sendo otimista, claro). Sinceramente, ainda não sei. 

Recesso de aniversário

In Imagens, papo furado on Janeiro 8, 2008 at 12:22 pm

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Eduardo Teles

In Brodagem on Janeiro 8, 2008 at 12:11 pm

Na semana que vem, quando voltar da Chapada, pretendo publicar aqui um apelo em prol de Eduardo Teles. Ele tem uma doença degenerativa grave e precisa fazer uma operação. E a operação só é feita na China e custa cerca de 80 mil reais. Ele ficou de divulgar até a quinta-feira, quando já estarei viajando, o número de uma conta para colaborações. E, quem quiser, poderá simplesmente comprar um dos livros dele. Há dois disponíveis, “Laços da Paixão” (R$ 15,00) e “Castro Alves, Um Sonho de Liberdade” (R$ 35,00). Teles é especialista em Castro Alves e um dos melhores recitadores que já vi em ação. Geraldo Maia está tocando um movimento de apoio.

Como um Kerouac

In Família, Kerouac, papo furado on Janeiro 8, 2008 at 1:25 am
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Difícil conter um espírito tão rebelde quanto o da minha sobrinha. No entanto, ela é uma das pessoas que mais amo no mundo. Estamos ainda nos adaptando. Ontem, saí para beber com meu cunhado e minha irmã. Sentamos num bar do bairro, tão íntimo que encontramos uma outra irmã. Bebi além da conta e minha irmã caçula me levou em casa. E era apenas uma segunda de férias. E fiquei feliz por tudo, com aquele ar de beatitude que só entende quem já leu Kerouac.

Pensar enlouquece – Primeiros danos

In Divagações, papo furado on Janeiro 7, 2008 at 4:15 pm

1 – Todo mundo que escreve hoje tenta imitar Clarice ou Caio e ainda acha que descobriu a pólvora

2 – Quem faz verso medido se acha o máximo, mesmo que seu verso medido seja o mínimo

3 – Se toda pessoa que se acha genial fosse realmente genial, qual a vantagem?

4 – Gênio mesmo é aquele que consegue convencer todo mundo de que ele vale aquilo que pensa que vale. E não vale. 

5 - O inferno astral é um fato

Cinema de lágrimas

In poesia on Janeiro 7, 2008 at 2:45 pm

Homens matam mulheres
e alegam amor. Mulheres
não matam. Mulheres distraem
a dor fazendo as unhas,
tomando Ocadil, vendo a novela.

Homens não choram. Quando traídos,
engatilham armas, afiam facas,
lançam ameaças. Mulheres choram,
fazem cena na porta da fábrica,
e arrancam os cabelos.

Mas tudo passa, amor e dor.
E fica aquela triste história
para contar no cabeleireiro.

Viagem

In Big Brother, Livros, Viagem, papo furado on Janeiro 4, 2008 at 6:12 pm

Meu carro ficou a cara de Valdick Soriano. Tô levando 36 CDs de música brasileira, incluindo Alcione e Nelson Gonçalves. Feliz da vida por não estar ocupada com a lista dos concorrentes ao “Big Brother Brasil 8″. Na bagagem, pretendo levar um único livro, o que ganhei do meu amor no Natal. Pausa até nos estudos pro mestrado. É um manual de roteiro escrito por Flávio de Campos, que coordena as oficinas da Globo. Vocês precisam ler ”A Saga dos Cães Perdidos”, de Ciro Marcondes Filho. Muito legal para entender o que ele chama de quarta e última fase do jornalismo, a da tecnologia. E os cães perdidos do título somos nós. “Eu não sou cachorro, não”.

Chapada

In Viagem, férias on Janeiro 3, 2008 at 2:50 pm

Ontem, inconscientemente seguindo o sábio conselho de Franciel, armei a viagem pra Chapada. E nem vai ser preciso ir de carona, Katherine. Vou rachar o gás com amigos. Viajo no dia 9 e festejo os 40 por lá. Acho que vai ser bacana, e sem drama. Bom, ando preguiçosa para postar por conta das férias, ainda me adaptando a acordar mais tarde. Mas, em compensação, tenho lido bastante e na cama. Hoje vou colocar película nos vidros do carro para encarar o calor da viagem. Tenho pensado muito também. E nem sei no que vai dar tanta reflexão.

Cardápio

In Divagações, Família, Viagem, férias, papo furado on Janeiro 2, 2008 at 2:01 pm

O segundo dia do ano, rapazes lavam carros no estacionamento, um caminhão de gás faz um barulho dos infernos. Dormi mal, acordei cedo, vou preparar uma macarronada com molho branco para o meu amor. A menina que trabalha aqui chegou tarde, levou meu cachorro para dar uma volta, parece estar de ressaca. Liguei para a conta e fiquei deprê. A grana das férias desapareceu num gigantesco buraco negro. E quero ir pro Capão de qualquer jeito. Minhã mãe ainda não se acostumou comigo em casa. Não me deixa dois minutos quieta, justo o que mais gosto. Olho a estante repleta de livros que devo ler se quiser ter alguma chance no mestrado. E vejo um filme idiota na TV. Podia escrever um poeminha… Não sei como. Será que perdi o jeito na passagem do ano? As coisa mudam, as coisas mudam. Vou na sala, olho o som. Não tenho MP3. O dia parece longo visto da minha cama. Ligo o notebook, coloco no colo, e vou blogar. Ainda de pijamas. Minha irmã está com a família em Itacimirim. De repente… Acho que hoje vou ao shopping, amanhã coloco película nos vidros do carro e, depois de amanhã, sei lá. Talvez um resto de gripe, vinda de 2007, acabe me prendendo em casa. Ou, vindo do espaço, um meteoro finalmente me faça acordar.

Resoluções

In Divagações on Janeiro 1, 2008 at 9:41 pm

Pronto. Finalmente começou. Daqui a 9 dias, aniversário. Na virada, fiz festa, misturei tudo, dancei pra caramba, dormi com o dia claro. Meu cachorro nem notou a mudança. Ele é o mesmo. Saímos para passear no condomínio. Percorri com ele o caminho de sempre, repleto de postes e de árvores. Minhas metas para 2008 são apenas três:

1. Viver

2. Emagrecer

3. Ser aprovada no mestrado.

Se conseguir atingir a primeira, tô no lucro.