Posts de Setembro, 2007
O anoitecer na varanda da minha casa
In Sem-categoria on Setembro 30, 2007 at 3:37 amIn Sem-categoria on Setembro 30, 2007 at 2:44 am
Finalmente pus o decodificador da Sky no quarto e ele transformou a TV antiga num rádio de 32 polegadas. Assisto “Zuzu Angel” enquanto ouço música techno. Como sou a rainha da sublimação, faço que nem os infelizes da propaganda do novo Fiesta: sorrio e digo “tudo bem!”. De tardezinha, revi “Bete Balanço” no Canal Brasil. Em 1980, eu tinha apenas 12 anos. Era só um pouco menos tola e ingênua. Acho graça quando dizem que blogar é se expor. O que deixo entrever aqui é menos ainda do que parece que sou. Conhecer alguém de verdade é conhecer seus pesadelos.
In Sem-categoria on Setembro 28, 2007 at 12:58 am
Joinville é só silêncio
e telhados achatados
no Google Earth.
Percorro as ruas
sem tocar o solo,
alterno entre céu e terra,
e vejo estrelas e lua,
do mesmo ângulo em que Mariana
as vê agora. O céu de Joinville.
Piscis. Austrinus. Grus.
Aquarius. Capricórnio.
O movimento na ponta
dos dedos, o mundo inteiro,
objeto, diante dos olhos. Vôo
até Mianmar, Yagoon, os monges
têm os pés ensangüentados,
as imagens não mostram.
O planeta azul, na tela,
é apenas um brinquedo morto.
"Há metafísica bastante em não pensar em nada"
In Sem-categoria on Setembro 24, 2007 at 3:28 amJá dizia o mestre Fernando Pessoa. Em homenagem ao descanso dos neurônios, inauguro hoje uma enquete sobre o assassinato da gêmea má da novela das oito. Participem!
Não comerei da alface a verde pétala…
In Sem-categoria on Setembro 21, 2007 at 1:03 pmVou falar, sim, sobre a morte de Taís Grimaldi. Afinal, na próxima sexta, o Brasil vai parar, não por cansaço ou para colocar nariz de palhaço, mas para ver o último capítulo de “Paraíso Tropical”. Eu era criança quando, em “O Astro”, de Janete Clair, o país ficou estatelado diante do assassinato de Salomão Ayala. Mas, na minha opinião, nenhuma novela supera o engenho de “Vale Tudo”, também de Gilberto Braga, que traz o melhor primeiro capítulo de todos os tempos. Naquela época, mais uma vez, paramos de pensar na prestação da casa própria para especular sobre um crime imaginário. Como diria Roberta Miranda, vou confessar. Antes mesmo da fatídica cena ir ao ar, eu já antecipava mentalmente as possibilidades que os autores teriam. Lembram que falei de noites de insônia? Pois. Finalmente, ontem, tive um insight. Já sei quem matou Taís Grimaldi. Um personagem que estava fora de todas as minhas listas iniciais de suspeitos e que transita pela trama com fortes sentimentos e muitas informações. Claro que Gilberto Braga e Ricardo Linhares podem optar por um final clichê, do tipo Marion ou Olavo, ou entregar o crime nas mãos de Alice ou Otília, neutras e “surpreendentes”. Tudo pode acontecer. Até Daniel ter se apaixonado por Taís e matado Paula, em cumplicidade com ela. Sim, pode, e entraria para a história da teledramaturgia nacional. Mas, pelas declarações recentes dos autores, prevalecerá a lógica. E, nesse caso, reforço a minha aposta. Não direi quem matou Taís Grimaldi. Mas, caso esteja certa, foi alguém que a gêmea má conhecia, com a qual compartilhava algo precioso e a quem devia um acerto de contas que nada tinha a ver com suas tramóias ou chantagens.
E para não dizer que não falei de poesia, o título do post é o de um poema de Vinicius de Moraes
Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: dêem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.
In Sem-categoria on Setembro 20, 2007 at 3:13 am
E era assim, feriado de semana santa,
na ilha de itaparica, eu e minhas amigas,
e rock no rádio de pilha, nobre, pobre,
tocando sem parar. Nós, as estrelas
de um filme barato. Olhe, veja, é
Whitesnaker. Vale um vinho na praia.
Mais um porre inocente. E jipes
de desconhecidos deslizando na areia.
Fomos de carona com Peter, que trouxe
um violão de doze cordas, e dez dedos,
e a Lua, tamanha, nos protegerá do resto.
In Sem-categoria on Setembro 19, 2007 at 3:43 pm
Quando já não podiam
suportar a lida
e abandonar o corpo
ao cansaço e a azia,
os escravos cantavam
simplesmente, e toda dor
partia, atravessando oceanos,
em navios de opressão e banzo.
Hoje, eu canto, como os escravos faziam,
quando já não podiam
suportar a lida
e abandonar o corpo
ao cansaço e a azia.
In Sem-categoria on Setembro 19, 2007 at 1:17 pm
Ops, tive um probleminha técnico com este post e perdi todos os comentários. Publico novamente, para não perder a viagem da oração.
Salve, rainha, mãe de misericórdia,
vida, doçura, e esperança nossa, salve.
A vós bradamos, os degredados filhos de Eva,
a vós suspiramos, gemendo e chorando,
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa,
vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E, depois deste desterro,
nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre virgem Maria.
Rogai por nós, santa mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
In Sem-categoria on Setembro 19, 2007 at 2:18 am
Cansada como nunca. Chego do curso perto das onze e ainda vou checar e-mails, postar no blog, manter o olho aceso. Considero o poema abaixo um presente deixado no planeta por Emily Dickinson. O nome é “Algo Existe” e a tradução é de Lúcia Olinto. Eu aguardo o Verão.
Algo existe num dia de verão,
No lento apagar de suas chamas,
Que me impele a ser solene.
Algo, num meio-dia de verão,
Uma fundura – um azul – uma fragrância,
Que o êxtase transcende.
Há, também, numa noite de verão,
Algo tão brilhante e arrebatador
Que só para ver aplaudo -
E escondo minha face inquisidora
Receando que um encanto assim tão trêmulo
E sutil, de mim se escape.
Cabeça erguida sempre
In Sem-categoria on Setembro 18, 2007 at 2:21 amMarcus Gusmão mudou pro WordPress com seu badalado Licuri e fico pensando que talvez esse seja o caminho de Márcia Rodrigues, do Sarapatel, que colocou uma mensagem para seus “dez leitores” informando que não consegue mais postar no UOL. É a blogosfera se movimentando. Ando sem inspiração e sem vontade de escrever desde que ocorreu um fato chatíssimo, mas devidamente previsto pelo I Ching: hexagrama 25, a inocência, o inesperado. Oportunidade para colocar em prática a principal lição materna: “cabeça erguida sempre”. Enquanto não supero, vou enchendo o “Madame” com as poesias que amo. Essa é do livro “Paranóia”, lançado em 1963 por Roberto Piva. O nome é “Paranóia em Astrakan” e a disposição dos versos é mais ou menos essa, sem vírgulas ou ponto final.
Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci
onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos com
lágrimas invulneráveis
onde crianças católicas oferecem limões para pequenos paquidermes
que saem escondidos das tocas
onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros para os telhados
estéreis e incendeiam internatos
onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam
a descarga sobre o mundo
onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha
no seu hálito
onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua
última janela
onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizonte
branco
onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe
escurecendo a página
onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das
beatas
onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas
penas
onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da
imaginação
Bem no fundo (Paulo Leminski)
In Sem-categoria on Setembro 16, 2007 at 11:42 pm
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto.
A partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e, sobre ela, silêncio perpétuo.
Extinto por lei todo remorso,
maldito seja quem olhar para trás.
Lá para trás não há nada,
E nada mais.
Mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e, aos domingos, saem todos a passear:
o problema, sua senhora,
e outros pequenos probleminhas.
E há poetas que são artistas (Alberto Caeiro)
In Sem-categoria on Setembro 14, 2007 at 3:03 pm
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
In Sem-categoria on Setembro 14, 2007 at 2:43 pm
Deu tilt no outro vídeo, este é dedicado a Nelson Magalhães Filho. Lou Reed, “Satellite of Love” em versão remix. E vai ter show de volta do “Led Zeppelin” em Londres.
Se for o satanás, digam que não estou
In Sem-categoria on Setembro 13, 2007 at 4:49 pm
Zezão, do meu lado, liga prum cara e grita no fone: “Alô, Satanás?” Não sei quem é o dito cujo. Linha direta com o inferno? Desacredito. Tem um diagramador que chamavam de Paulo Satanás, na época do Correio da Bahia. Olho pra ele, colega queridíssimo, e não entendo o tal apelido. Um dia, cara, troquei o número do cartão de crédito novinho em folha que terminava em 666. E confesso que não foi o suficiente para evitar gastos excessivos e juros altíssimos. Como superei a expectativa adolescente de agradar a todo mundo, posso escrever que tenho uma fé absurda em Deus, em anjos, em santos, em espíritos. Não, em duendes não. Limitações de uma pessoa que ignora as regras da métrica, poeta menor, de apenas 1,49 m, um livro na praça, um blog, poucos amigos, alguns inimigos, nenhum medo de existir. Vermelha, quando em público. Azul, sempre. Falei no outro post de “Migração Alada”. Me acalma. Quase tanto quanto filmes chineses. Já viram “Sob o Olhar do Mar”? É a história de uma Bebel chinesa do século XIX. Mais sentimental, talvez. Não me canso de rever a parte final, quando a chuva chega e o mar invade tudo. E o que isso tem a ver com o Satanás do telefonema de Zezão? Lembrei de um poema de Bashô que vale ler e reler.
Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.
De que árvore florida
Chega? Não sei.
Mas é seu perfume.
Uma família de chorões
In Sem-categoria on Setembro 13, 2007 at 1:06 amO Pura Ingresia, de Franciel Cruz e Sora Maia, está de cara nova. Eles cansaram do blogspot e mudaram pro wordpress. Nilson, do “Blag”, fez o mesmo. Pra falar a verdade, fui lá ver como era e até criei um blog “de ensaio”, mas não me adaptei direito. Também faltou tempo e gás pra mudar tudo, todo o “Madame” para lá. Ando me economizando, se é que vocês me entendem. A última do meu blog foi um troço que coloquei e que me diz como as pessoas chegam até aqui. Sabem o que descobri? A maioria entra após pesquisar no google sobre Kat Von D, a tatuadora do “Miami Ink”. Entra gente da Europa, dos EUA e de todo o Brasil. Todos fãs de Kat. Todos caem no post com fotos de tatuagens dela e, claro, zarpam rapidinho. Outro dia um anônimo deixou um comentário lá, criticando a moça, “que ficou metida e que tem pneus na barriga”. Hoje assisti novamente “Migração Alada”. Me emocionei pra caramba. Me emociono fácil. Um dia, na aula, caí em prantos diante de uma seqüência de “Ladrões de Bicicleta”. Sou de uma família de chorões. Vi também um documentário sobre Hermógenes, um dos pioneiros da Hatha Yoga no Brasil, e tentei ver um outro, sobre Walther Hugo Khouri, que ficou emperrando no DVD. Uma pena, pois parecia bem bacana mesmo. No post sobre o blog de Márcio, o “Cova Rasa”, citei Drummond quando falei que “perdi o bonde, mas não a esperança”. Aí fiquei com vontade de postar o poema inteirinho, que é um dos que mais gosto dele. Chama-se “Soneto da Perdida Esperança”.
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa
com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.
E por falar em música, vida longa ao Ira! e a Nasi
In Sem-categoria on Setembro 12, 2007 at 12:03 pmIn Sem-categoria on Setembro 10, 2007 at 9:10 pm
Márcio, o pai de Marina, reativou o “Cova Rasa” com visual novo e um texto sobre música. Foi Márcio quem me estimulou a criar o “Madame” em dezembro do ano passado. No post de reinauguração, ele fala sobre o prazer recém-descoberto de escutar “Led Zeppelin” e a chatice que é a obrigação de estar em dia com todas as novidades, incluindo grupos como “Móveis Coloniais de Acaju”. Na área, sinceramente, sinto que perdi o bonde, mas não a esperança. Nunca escutei, por exemplo, uma canção da festejadíssima “Franz Ferdinand”. Também nunca consegui gostar de “Los Hermanos”. E tenho minhas esquisitices musicais de estimação, tipo Natalie Merchant, “EBTG” e “Blind Melon”. Quanto ao “Zeppelin”, outro dia me peguei ouvindo “Tangerine”. A canção me lembrou as noites da Ilha de Itaparica e amigos que perdi de vista, e aventuras sob céus repletos de estrelas.
Poeminha do contra (Mário Quintana)
In Sem-categoria on Setembro 10, 2007 at 1:47 pmDois e dois: quatro (Ferreira Gullar)
In Sem-categoria on Setembro 9, 2007 at 1:27 pm
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
– sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.
In Sem-categoria on Setembro 6, 2007 at 11:48 am
Saio de folga amanhã e, embora trabalhe no domingo, a sensação hoje é de tempo livre, disponível para a praia, meu passatempo predileto em dias de sol, ou para o cinema, onde me escondo quando chove. O blog fica pra segunda, amigos, que ninguém é de ferro. E, nesse quesito, o do ferro, ando bem fraca mesmo. Não há inspiração também para os poemas de ocasião. Essas coisinhas doces que chamo de versos. E pra mexer no layout do Madame como se fosse um brinquedo. Mas, de boas notícias, minha caixa do peito anda repleta. O problema é que tudo demanda tempo, e a paciência que não tenho ando guardando para a saúde.
Vejo flores em você
In Sem-categoria on Setembro 4, 2007 at 3:51 pmIn Sem-categoria on Setembro 3, 2007 at 11:48 pm

A net e seus mistérios… Você mergulha na aridez da infovia e, de repente, dá de cara com uma paisagem, como o blog português “Poesia & Lda”, com pequenas biografias e análises literárias. Lá, pesquei este poema de Billy Collins, um novaiorquino nascido em 1941. Gosto do modo como ele extrai lirismo de um gesto, de como explora a visualidade…
EMBRACE
You know the parlor trick.
Wrap your arms around your own body
and from the back it looks like
someone is embracing you,
her hands grasping your shirt,
her fingernails teasing your neck.
From the front it is another story.
You never looked so alone,
your crossed elbows and screwy grin.
You could be waiting for a tailor
to fit you for a straitjacket,
one that would hold you really tight.
ABRAÇO
Conheces o truque do gabinete.
Enrola os braços à volta do teu próprio corpo
e de trás parece que
alguém te está a abraçar,
as mãos dela agarrando a tua camisa,
suas unhas cardando o teu pescoço.
Já de frente é outra história.
Tu nunca pareceste tão só,
de cotovelos cruzados e esgar contorcido.
Podias estar à espera do alfaiate
para provar uma camisa de forças,
uma que te agarrasse muito junto.







