Samba!
Queria um samba! Algum que fosse
como os que aprendi na infância,
ouvindo a minha avó cantar
feito Dona Ivone Lara, zunindo
nas colinas, com voz forte,
de dentro da mais absoluta escuridão.
Taborilando com os dedos
nas pregas da saia, rindo com
mil dentes, enxergando as rimas,
que saboreava na boca. Um samba agora,
urgentemente, dentro de mim.
Insano
Há um limite, creia, até para quem passeia
na beira do precipício. Há um momento
em que até o mais pirado inventa
de se internar no hospício em busca de sossego.
No meio da rua
Essa é impagável. Uma doida parte pra cima da repórter Aline Castelo Branco e causa o maior tumulto. Tudo registrado pelas câmeras do Se Liga Bocão.
Retrato
Um dia, quando formos
mais dos álbuns que de nós,
juro, te conto do que eu ria
naquela foto em Paquetá.
Você nem me conhecia
em detalhes como hoje,
ainda não, mas eu sabia,
eu sentia, ia durar.
Uma cigana me disse,
meses antes, “vai durar”.
O hexagrama do I Ching, 17,
“seguirá”. E eu, em sonhos, pressentia,
coisa que nem Freud explica,
aquele dia em Paquetá.
Entre a fama e a cirrose, Amy Winehouse
Li no Caderno Dez! e fui no “YouTubil” pescar.
A saideira, garçom
São eles, os anjos, que gritam por nós
São eles, meninos, que nos guiam
Mas, de qualquer modo, é sempre bom apagar uma das velas
e deixar que a outra ilumine por completo a vida.

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