Kátia Borges

Posts de Abril, 2007

Samba!

In Sem-categoria on Abril 30, 2007 at 10:36 pm

Queria um samba! Algum que fosse
como os que aprendi na infância,
ouvindo a minha avó cantar
feito Dona Ivone Lara, zunindo
nas colinas, com voz forte,
de dentro da mais absoluta escuridão.
Taborilando com os dedos
nas pregas da saia, rindo com
mil dentes, enxergando as rimas,
que saboreava na boca. Um samba agora,
urgentemente, dentro de mim.

Insano

In Sem-categoria on Abril 30, 2007 at 2:11 pm

Há um limite, creia, até para quem passeia
na beira do precipício. Há um momento
em que até o mais pirado inventa
de se internar no hospício em busca de sossego.

Ai, tem um bicho no meu quarto

In Sem-categoria on Abril 29, 2007 at 12:55 am

Quadrinhos (André Dahmer)

In Sem-categoria on Abril 28, 2007 at 10:44 pm

Venha ver o pôr-do-sol

In Sem-categoria on Abril 28, 2007 at 10:18 pm

Senhoras e senhores, Joy Division!

In Sem-categoria on Abril 27, 2007 at 1:09 pm

No meio da rua

In Sem-categoria on Abril 27, 2007 at 1:20 am

Essa é impagável. Uma doida parte pra cima da repórter Aline Castelo Branco e causa o maior tumulto. Tudo registrado pelas câmeras do Se Liga Bocão.

Retrato

In Sem-categoria on Abril 26, 2007 at 3:26 am

Um dia, quando formos
mais dos álbuns que de nós,
juro, te conto do que eu ria
naquela foto em Paquetá.
Você nem me conhecia
em detalhes como hoje,
ainda não, mas eu sabia,
eu sentia, ia durar.
Uma cigana me disse,
meses antes, “vai durar”.
O hexagrama do I Ching, 17,
“seguirá”. E eu, em sonhos, pressentia,
coisa que nem Freud explica,
aquele dia em Paquetá.

Entre a fama e a cirrose, Amy Winehouse

In Sem-categoria on Abril 25, 2007 at 4:15 am

Li no Caderno Dez! e fui no “YouTubil” pescar.

A saideira, garçom

In Sem-categoria on Abril 25, 2007 at 3:47 am
Beber é pactuar com o demônio. Mas Deus manda seus anjos.
São eles, os anjos, que gritam por nós
de madrugada em ruas desertas.
São eles, meninos, que nos guiam
em segurança até nossas casas.
Mas, de qualquer modo, é sempre bom apagar uma das velas
e deixar que a outra ilumine por completo a vida.
Vai que um desses arcanjos cochila…

Um dia

In Sem-categoria on Abril 22, 2007 at 11:43 pm

Quero um dia de sol pra pegar meu amor pelo braço
e sair num passeio pela Linha Verde, ouvindo Pato Fu,
Kid Abelha, “Qualquer Bobagem”, meu amor e um biquini de flores,
ar condicionado, calores, paisagem, sandálias modernas de couro.

Quero um dia de sol e de ouro pra pegar meu amor de jeito
e mostrar que o lugar mais perfeito é mesmo estar em movimento,
com essa sede de cerveja gelada, essa fome de caranguejos,
que o verão, como a vida, é passagem e o lirismo
é moldura pra imagens que constróem nossos sentimentos.

Un vestido Y un amor

In Sem-categoria on Abril 22, 2007 at 6:28 pm

Felicidade

In Sem-categoria on Abril 20, 2007 at 4:36 pm

Quieta, sem nenhum desejo que cegue,
aprecio a vista da cidade. Gente melhor
que eu. Nada me atinge. Saber que, breve,
voltaremos ao pó só lembra Fante. Aprecio
o gosto de ser medíocre, que seja doce
como Caio disse, que me devore, que me
pendure, no Titanic de Ana Cesar,
que se afogue em nada este desejo mórbido
de ser muito alegre, e plantar árvores, e parir
filhos, e editar livros, e ter dinheiro, em
bancos imundos, sento a bunda, o rosto pro sol,
e me entrego às delícias indescritíveis de ser comum,
livre da maldição de dar certo e de realizar um sonho.

Clarice em 1977

In Sem-categoria on Abril 20, 2007 at 3:15 pm

Un Vestido y un Amor

In Sem-categoria on Abril 20, 2007 at 12:48 pm

Te vi
Juntabas margaritas del mantel
Ya sé que te traté bastante mal
No sé si eras un angel o un rubí
O simplemente te vi.

Te vi
Saliste entre la gente a saludar
Los astros se rieron otra vez
La llave de mandala se quebró
O simplemente te vi.

Todo lo que diga está de más,
Las luces siempre encienden en el alma
Y cuando me pierdo en la ciudad
Vos ya sabés comprender
Es solo un rato no más
Tendría que llorar o salir a matar.

Te vi, te vi, te vi
Yo no buscaba nadie y te vi.

Te vi
Fumabas unos chinos en Madrid
Hay cosas que te ayudan a vivir
No hacías otra cosa que escribir
Y yo simplemente te vi.

Me fui. Me voy de vez en cuando a algún lugar
Ya sé, no te hace gracia este país
Tenías un vestido y un amor
Y yo simplemente te vi.

Todo lo que diga está de más,
Las luces siempre encienden en el alma
Y cuando me pierdo en la ciudad
Vos ya sabés comprender
Es solo un rato no más
Tendría que llorar o salir a matar.

Te vi, te vi, te vi
Yo no buscaba nadie y te vi.

(Fito Paez)

A grande onda

In Sem-categoria on Abril 19, 2007 at 9:31 pm

A mulher mais antiga do planeta

In Sem-categoria on Abril 19, 2007 at 7:42 pm

A mulher mais velha do mundo, essa eu li na Carta Capital, é uma paranaense de 127 anos. Maria Olívia da Silva era a segunda colocada no ranking do ser humano mais antigo do planeta até janeiro deste ano. Perdia para Sarhad Rashidova, que morreu, com 131 primaveras, na sua terra natal, o Daguestão, república russa do Cáucaso. Minha avó paterna, Alice Alexandrina, morreu aos 102 anos. Ela dizia, e todos na família acreditavam, ser capaz de prever a data exata em que morreria. Não revelou o dia, embora eu tenha certeza de que ela o soubesse, mas assim que o ano virou, avisou que aquele seria o último. E foi.

Para não perder a viagem

In Sem-categoria on Abril 17, 2007 at 12:34 pm

Tome cuidado para não perder o riso
e a capacidade de arriscar. Como diz
o Damário, todo risco é que nos faz
homens. Tome cuidado para não perder
o piso sob os pés, o céu sobre a cabeça,
a cabeça. E lembre de andar distraído
e entregue ao destino, para que algo de bom lhe aconteça.

Alma romântica e mulherzinha

In Sem-categoria on Abril 12, 2007 at 3:35 pm

Uma lista de canções pode revelar muito sobre um ser humano, principalmente quando ele é desmemoriado como eu, protegido por amnésias providenciais. Minha infância, por exemplo, é nevoeiro. Mas recordo que a primeira canção que ouvi no rádio em inglês foi “Rocket Man”, de Elton John. Lembro, ainda, que Gal Costa cantando “Negro Amor” me tirou do marasmo de “Junto ao lago azul de Ipacaraí” e me jogou direto no coração da cultura hippie. Eu queria, então, ser astronauta e vender pulseirinhas de contas coloridas em Marte. O movimento paz e amor já estava no final quando eu nasci e, naquela época, pegar carona numa espaçonave para fazer turismo não era possível nem com milhões de dólares. É verdade que na minha adolescência não existiam celular, CD, DVD ou PC de mesa, mas decidi só pensar na velhice daqui a uns 20 anos (se ainda estiver por aqui, claro). Aí, sim, aceito o fato de ser uma senhora. Por enquanto, ficarei curtindo dias de sol, noites de chuva, pesquisando vídeos no YouTube para postar aqui e elaborando listinhas de músicas. Foi como descobri o quanto minha alma é romântica e mulherzinha: a primeirona, no topo da lista das músicas que mais amo, é “The Long and Winding Road”, dos Beatles.

Lenços de papel embebidos em perfume

In Sem-categoria on Abril 10, 2007 at 1:20 pm

Amo essa capa do vinil de “Correndo o Risco”, lançado em 1986 O primeiro disco do “Camisa”, que foi lançado em 1983
(Reproduções pescadas no site da Facom)

Hoje li uma matéria do Caderno Dez! sobre o retorno das bandas “Camisa de Vênus” e “Gonorréia”. Impossível não lembrar o meu primeiro show de rock no Teatro Vila Velha, em setembro de 1982 (aquele mesmo citado por Danilo Fraga na matéria como o grande estouro do “Camisa”). Eu tinha 14 anos e fui com minha irmã e uma amiga. É incrível recordar hoje como forjamos um artíficio contra o “barrufo” da maconha: lenços de papel embebidos em perfume. Nós levamos os tais lenços no bolso e, a cada nuvem mais densa de fumaça cinza que subia, forrando o teto do local, colocávamos no nariz. Santa ingenuidade, Batman! E a galera pensando que éramos muito doidas, cheirando sei lá o quê. Naquela época, eu ouvia direto o “Rock Special” no rádio e gravava montões de fitas com canções de bandas que eu conheci ali, graças a Marcelo Nova. No ônibus, cantávamos as músicas do “Camisa”, que ainda nem tinha lançado disco, aprendidas em fitas piratas de shows. Uma dessas levamos para um acampamento inesquecível em Itacimirim, então uma praia sem qualquer iluminação e bem selvagem. Conseguimos convencer nossas mães a irem conosco, mas elas nem desconfiavam que nossos amigos surfistas estavam ali também, acampados mais adiante, com vinho, erva e “Camisa de Vênus”. Eu era a mais boba da turma, a mais jovem, a mais confusa, a mais branca, a mais tímida. Peguei uma insolação braba de quase morrer e levei vários caldos tentando aprender a subir numa prancha. Mas algo mudava lentamente dentro de mim, um sentimento, e foi exatamente durante essa viagem que percebi a sua força.

Meu passado me condena

In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 4:08 pm

Dando uma olhada no site de Carlos Ribeiro (http://www.carlosribeiroescritor.com.br/), encontrei a minha primeira e única entrevista. Foi feita por ele e publicada em junho de 2002, quando lancei o livro “De Volta à Caixa de Abelhas”, no jornal A Tarde. Olha a cara de criança na foto clicada por Rejane Carneiro. Pensar que meu pai morreria seis meses depois…

Um conto pequeno

In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 3:34 pm
Virou-se de repente para o amigo no cinema e disse com todas as letras o que sentia. Ele apenas sorriu timidamente, enquanto todos faziam psiu, com dedos diante dos lábios. O filme continuava rolando na tela com a luta de trezentos machos. E ela ruminava o vazio. Não podia deixar-se mais naquele reencontro, ao lado dele, em silêncio, distraindo-se na pose. Que fosse amargo, ou doce, que fosse o que fosse. Ele também a queria nos olhos claros, calmo que doía. Saiu do cinema antes que o the end surgisse vitorioso, completamente derrotado.

Leituras

In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 2:56 pm

Reli todos os contos de “Laços de Família”, de Clarice Lispector, nesses dias de Semana Santa em Praia do Forte. E, mais, os poemas de Luís Antonio Cajazeira Ramos, que lança livro novo, “Mais que Sempre”, no dia 11 de maio, pela editora 7Letras. Assim que o pacote saiu da gráfica, a EGBA, Luís passou aqui em casa e deixou um exemplar (foto). É emocionante acompanhar o processo de criação de um autor e eu tive o privilégio de ver de perto como, a partir de um poema meu, “Santiago”, de um verso de Elizabeth Bishop, e do filme “Brokeback Mountain”, Luís entrou no turbilhão poético que deu origem a “Mais que Sempre”. Assim, o primeiro poema da série que inicia o livro, “Bolha de Sabão”, dedicado a mim, dialoga livremente com os versos de “Santiago” (Envelhecer é caminhar…), que pode ser lido numa das edições do jornal literário “Panorama da Palavra”, de Helena Ortiz, escritora gaúcha radicada no Rio de Janeiro. Além de Clarice e Cajazeira, levei na mala “Os Exercícios do Ver”, de Jesus Martín-Barbero e Germán Rey. Mas esse, confesso, não li. Em comum entre os livros de Lispector e Luís o domínio da palavra, embora em gêneros literários diversos. Ambos lidam com a mesma força, domam a mesma energia, brincam de desmontar as coisas por dentro, e mostrar ao leitor o interior dos sentimentos.

Não, isto não é um fotoblog

In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 2:50 pm

O mar ao fundo e a branquela fazendo pose em Praia do Forte.

Semana Santa

In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 2:42 pm

Procissão pelas ruas da vila em Praia do Forte. Dias de paz.

Sem jabá

In Sem-categoria on Abril 3, 2007 at 3:42 am

Banda baiana e bacana, Formidável Família Musical. Vídeo muito legal também, dirigido por Fred Marinho, Thales Magno e Daniel Yokota.