Não quero o homem que me quer. E há um sol
que eu quero em meu rosto.
Crescer é fogo, amor, consome.
Perdoe o medo, o nojo, a fome.
Amar é doce, enjoa.
Não quero o pássaro que tenho nas mãos.
Eu preciso é dessa ave que voa.
Fevereiro 2007
Fevereiro 27, 2007
Fevereiro 22, 2007
Não curto essa coisa de pôr fotos pessoais no blog. Mas essa aí, feita por Cassiano, namorado de minha sobrinha, Mariana, em 13 de janeiro deste ano, é o primeiro registro do encontro entre Binha, Paula e Kátia, as três filhas de Lindival de Souza Borges, um cara que deixou o planeta em 1º de dezembro de 2002 e que eu aprendo a amar, mais e mais, a cada dia de ausência. Um cara que partiu e me deixou uma irmã. Existe melhor, e mais valioso, legado? Meu pai foi um cara honrado e alegre, e fico feliz ao enxergar um pedaço do riso, do olhar, da personalidade dele em cada uma de nós.
Fevereiro 21, 2007
Amar, esse segredo, vive
enquanto alimentamos sem medo
uns pássaros cegos que insistem
em comer em nossas mãos.
Fevereiro 19, 2007
Olha a vida que passa, vizinha de planeta,
naquela casinha à direita do país em que você mora.
E, bem na esquina do Estado em que vivo,
há uma moça com um filho no colo. Ele chora.
Perto da cidade na qual resistimos,
um outro Katrina avizinha-se, demora.
Enquanto março não vinga, este peso
em meu peito é o que nos irmana. E devora.
Fevereiro 16, 2007
“Infeliz de quem tá triste no meio dessa confusão”. E de quem ateia fogo na aldeia. E de quem fica com os cotovelos em chamas. E de quem joga tudo pro alto, incluindo a paranóica necesidade de escrever sempre “para o”. Havia decidido só voltar a essa madame de araque após a folia, quando a vida entra nos trilhos e temos que ficar de olho nos trens, e não nos trios. Mas eis que volto à blogosfera e dou uma espiada em Licuri, Blag, Sarapatel e Filosofia. E dá vontade de escrever também. Pura inveja, pois. Uma amiga gostou do blog, mas comentou que as fotos não trazem créditos. Decidi não publicar mais fotos que não possam ser creditadas.
Fevereiro 14, 2007
Meu coração sente que, em março, algo vai mudar,
quando desarmarem os palanques. É isso!
Quando desmontarem as arquibancadas do Campo Grande,
meu coração me diz que algo vai mudar. Algo, sim,
de muito forte, profundo e importante.
Quando desligarem as lâmpadas coloridas
e retirarem os enfeites dos postes, há quem diga (meu coração)
que a verdadeira alegria nascerá – silenciosa e contemplativa –
a ocupar os espaços dos camarotes na avenida
e a comandar, com seu ritmo, uma certa batucada de amigos,
ou um afoxé antigo, ou um frevo vindo de Olinda.
Meu coração, esse bandido, é que sempre chega atrasado pra folia.
Fevereiro 9, 2007
Fevereiro 6, 2007
A mãe buscou os espelhos,
quando a vida já não se refletia,
e feriu com aço os filhos pequenos.
Era feriado nacional, aquele dia,
quando o papa veio, e a freira vivia,
com doentes e famintos
em seu encalço. Era
pequena, do mesmo tamanho,
espremida no meio do povo,
cantando a música aprendida na TV,
e querendo bênçãos de João de Deus.
Ele, ali, sua santidade, a poucos metros,
e tudo em mim era distância e futuro.
A vida, um beco sem saída,
continuou a seguir, com animais e plantas,
domesticamente falando.
Eu sabia por eles o que acontecia no mundo.
Fevereiro 2, 2007
Fevereiro 2, 2007


