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Esquecer o passado é a melhor forma
de equilibrar os pratos e caminhar
nesse arame fino, fio de cobre, sobre o mar.
Esquecer o passado é esquecer de olhar
para baixo. É a melhor receita de bolo,
para não solar, é a melhor receita
mesmo se não dá para ancorar
o seu navio no espaço.
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Queria um bacuri
para beber meu leite
e arrotar poesia.
Quem sabe assim,
branca como leite,
minha vida enfim
se derramaria.
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Minha amiga em Berlim
Neste Natal senti saudades de uma pessoa com a qual não poderia me comunicar. Desde que foi tentar a vida em Berlim, a minha amiga Glória comanda nossa relação direto da Alemanha. É ela quem telefona sempre que bate a saudade, e fica horas conversando. Creio que boa parte da grana que ela ganha em trampos variados em Berlim é gasta comigo, nessas ligações. Glória sempre sonhou em morar no exterior, desde que eu conheço. E lá se vão mais de 20 anos de uma amizade cheia de altos e baixos. É que eu nunca fui uma amiga muito boa para ninguém, confesso. Sou relapsa, mas absolutamente sincera. Glória sempre soube passar por cima disso e tocar nossa amizade. Quando penso nela, é inevitável recordar as grandes forças que me deu em momentos variados da vida. Glória ajudando numa limpeza complicada de papéis. Glórias cozinhando umas coisas deliciosas. Glória levando meu pai numa cadeira de rodas, arrumada por ela, para o médico (após vencer as resistências dele). Glória dividindo comigo alegrias e tristezas, dilemas e decisões, loucura e sobriedade. Enérgica, forte, jovial, cheia de fé. Glória é capaz de qualquer coisa. Berlim, e o complicado alemão, para ela são fichinha. Ela sempre dizia que nossa amizade não nasceu em mesa de bar. Mas passamos por várias ao longo das últimas duas décadas. Brigamos também, algumas vezes. Eu sempre acreditei mais em Glória do que ela mesma acredita, e sempre torci para que ela descobrisse as qualidade que só eu parecia enxergar. Saudades de Glória. É a ela, minha amiga em Berlim, que dedico uma prece nesse dia 25.
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Eis que é salto no ar, este abismo,
e o que nos aguarda é so aguar, voar
ao fundo, e recolher do íntimo.
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Quero tatuar Janis Joplin em minha pele
Eu sou do tipo que parece. Insensível. Eu pereço no meu modo de parecer. Afasto os outros. Na época em que bebia, acreditei fazer parte de alguns grupos. Prefiro o hoje e essa minha sobriedade solitária. Melhor para a alma. Quando comecei a trabalhar na imprensa baiana há uns dez anos um colega me chamou no canto e recomendou: cuidado com os canalhas. Os anos passaram e fui vendo que todos diziam, uns dos outros, de um modo ou de outro, a mesma coisa. Eu, como sou do tipo que parece, fui amando um canalha aqui, odiando outro acolá, e sendo também canalha para muitos em papos de mesa de bar. Deixo que minha sensibilidade diga se vale o investimento. Num olhar, num sorriso, numa palavra mais demorada. É raro se dar. Eu queria mesmo era tatuar Janis Joplin em minha pele.
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Quando tudo começa é a grande questão. No meio, a coisa realmente pode se ajeitar e seguir até o final. Se vc não entende isso, deve ser gringo. Aqui, tudo mal começa e já é ruína. Mas, agora não. Imagina começar um blog de literatura com doses cavalares de pessimismo. TPN, tensão pré natalina. A idéia, eu tive ontem, num caruru, conversando com dois amigos, Márcio ( do blog Cova Rasa) e Adalberto (que nem celular tem, que dirá blog). O dendê era de Santa Bárbara, embora o dia dela seja oficialmente 4 de dezembro. Fui de vermelho e branco. Um médium viu meu pai, falecido, na festa. Parece que havia um outro morto por lá. Bebi três cervejas e não vi nada. Se vc não sabe que Santa Bárbara rende quiabo, não é da Bahia. Hoje, coloquei no ar, como primeira resolução de virada de ano. Me virar para escrever. Ops. Tem sido assim desde que aprendi a ler. Hoje, morreu Jorge Calmon. Se vc não sabe quem é, não é jornalista. Tô deprê. TPM, que vc deve saber o que é.